ARREPENDIMENTOS

Desde a adolescência, li em algum lugar e passei a repetir que "só me arrependia do que não fizera", numa demonstração de autosuficiência prematura e vazia de sentido.

É claro que me arrependo também de muitas coisas que fiz e não deveria ter feito! Sou humana e vivo errando, como todo mundo.

Ontem, caminhando pelas ruas ensolaradas do meu bairro, ia, como sempre, matutando.

Saí de casa aos dezoito anos, para casar. Saí da minha cidade aos vinte e um, por conta da profissão do meu então marido.

Embora meus pais sempre me visitassem e eu a eles, perdi muitos anos de carinho, segurança e troca afetiva  e eles perderam muito dos netos que amavam tanto.

Muitíssimos anos depois, quando minha mãe ficou idosa e sozinha, eu a trouxe para perto de mim e ela rejuvenesceu. Hoje nem parece ter oitenta e nove anos. Mas tem. E isso me apavora. Vivemos tentanto compensar o tempo perdido e ela continua sendo minha melhor amiga e a pessoa em quem mais confio na face da terra.

Não tem como não pensar. Se o casamento que me tirou da minha terra e me afastou da família acabou, terá sido tudo em vão? Tanta saudade, tanto trabalho para criar os filhos sozinha, longe de todos, terá mesmo valido a pena?

Hoje sou eu que sofro a ausência dos filhos. Também eles partiram em busca de realização profissional. Nós sempre fomos "mosqueteiros" (um por todos e todos por um), não foi nada fácil desmembrar nosso quarteto, não é fácil até hoje. Será que, um dia, eles também irão se arrepender do tempo que perderam na convivência familiar?

A verdade é que vivemos como se não houvesse amanhã. E há! E o tempo não volta, não dá segunda chance, nem sequer pára um pouquinho a fim de tomarmos as decisões mais refletidamente.

A nossa vida é sempre um resultado das escolhas que fazemos. Sempre poderia ser diferente, SE tivéssemos escolhido outros caminhos.

Por isso, o jeito é rezar para enxergarmos com lucidez a estrada à nossa frente e torcer para que ela nos leve exatamente aonde queremos chegar.

Sem arrependimentos.



Escrito por Maria Luiza às 12h05
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OLIMPÍADAS

Talvez vocês já estejam fartos de me ler falando nisso. Bem feito! Escrevi um texto dramático me confessando carente e não recebi um aperto de mão de ninguém. Então deixa eu encher a paciência de vocês com mais Olimpíadas.

Estou aposentada e não preciso mais acordar cedo, por isso, durante as competições,   nunca mais deitei antes das 3h. Meu relógio biológico acho que nem terá mais conserto. Fico assistindo uma prova atrás da outra, pulando de canal e o sono vai embora.

Mesmo assim, não consegui assistir o nado sincronizado, nem as provas de trampolim e tenho pouca esperança de ver as provas de ginástica rítmica. Isso é que dá ter gosto diferente da maioria; se gostasse de futebol teria o que ver o tempo todo.

O Brasil precisava comprar um Phelps. Só um. Já ficaria em terceiro lugar na classificação geral, com oito medalhas de ouro.

Parece que o quadro de medalhas é assim:  1º) China; 2º) EUA; 3º) Phelps.

É duro ser brasileiro!

A gente sofre, fica nervoso, dorme tarde, acorda cedo e nada. O segundo hino mais vibrante do mundo (depois do hino da França) só foi executado uma vez. E o medalhista, como sempre, desmanchado em lágrimas...

Penso que, se a gente tivesse um pouco mais de frieza, de concentração, menos passionalidade, quem sabe os resultados poriam ser melhores?

A ginasta Jade, quando erra, já sai do aparelho fazendo beicinho.

Diego Hipólito não agüentou o peso da classificação em primeiro lugar.

Daiane dos Santos não tem breque. Voa, voa lindamente, mas não consegue parar dentro do tablado.

E a esperança no salto com vara, Fabiana, surtou quando perderam uma de suas dez varas, se desconcentrou e perdeu a prova. Cabeça fria menina!

Soube que nos Estados Unidos as redes de TV não mostraram um só atleta brasileiro. E só mostravam a premiação no pódio quando seus atletas ganhavam medalha de ouro e o hino tocava. Aquele pódio em que um nadador americano dividiu o pódio com um brasileiro, ganhando medalha de bronze, nem passou lá. Sem falar que eles se colocam em primeiro lugar, pelo número total de medalhas, ignorando a regra de que as medalhas de ouro valem mais.

Por tudo isso, acho que vou ter que aprender a gostar de futebol e torcer muito para nossas equipes de futebol feminino, masculino, vôlei de quadra e de areia, pois todas elas disputarão o ouro com os Estados Unidos.

Será que desta vez vai sumir a bola?



Escrito por Maria Luiza às 18h19
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CARENTE

Não sei se a culpa é do dia cinzento, ou da madrugada assistindo (e me decepcionando) às Olimpíadas, a verdade é que hoje me sinto carente.

Será que carência é da mesma família da saudade? Ou da tristeza? Da desilusão? Da falta de esperança?

Meu barquinho anda à deriva e isso não é bom.

A vida flui muito veloz para nos perdermos no trajeto, há que se ter uma bússola bem regulada para cumprirmos nossa travessia sem arrependimentos.

E eu acho que perdi a Tramontana...

Tocar piano é objetivo? Fazer dança de salão também? Hidroginástica? Trabalho voluntário? Supermercado? Brincar com a Pitty? Visitar a mãe? Escrever? Será que tudo isso tem realmente uma razão de ser e pode ser o recheio de uma vida?

Por que será que me comunico melhor por escrito? Por que será que tanta gente tem medo da palavra escrita? Os insultos falados não permanecem? Só o que está no papel é que vale? Então, para mim, essa é mais uma razão para escrever. Não pretendo que meus posicionamentos sejam esquecidos, ou julgados efêmeros, porque eles saem do fundo da alma e me representam.

Mas hoje estou carente...

Queria ver os olhos de vocês para saber que não estou sozinha. Mas blog é blog e ninguém tem a obrigação de se manifestar, ainda mais tendo que copiar aquelas letrinhas. Basta-me imaginar que vocês estão aí. Será que basta mesmo?

Saudade da gente é a saudade mais doída, porque não tem como nos devolver aquela pessoa que fomos, antes da vida nos envelhecer e azedar.

Cansei de admirar a paisagem. De remexer em fotos antigas, de brincar com a cachorrinha, de ler PPSs.

Estarei carente ou perdida? Desperdiçada? Esquecida? Abandonada?

Bem, esse é um diário virtual e hoje não consigo ser mais, nem melhor do que isso.

Tô carente pô!



Escrito por Maria Luiza às 14h04
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CONTRASTES

Nem sei porque, mas estou um tanto decepcionada com os resultados (fraquinhos...) dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Não deveria ser surpresa para mim, já que vivemos num país que não valoriza a educação, nem os esportes. Se a criança souber chutar uma bola já está mais do que bom.

As Universidades, que detêm o maior número de bons esportistas nos ditos países civilizados, aqui só obrigam o aluno a cursar um semestre de algum esporte (que pode ser até xadrez); mesmo assim só as públicas têm esta exigência.

Fico surpresa ao ver nossos judocas vencerem os japoneses! Que superação para esses meninos e meninas das favelas, que treinam em barracões, sem verba alguma, com professores que saíram da delinqüência graças ao judô.

As meninas da ginástica são uma exceção e seu maior mérito é serem treinadas com mão de ferro por um ucraniano.

E o comentarista da rede Sport TV quase tem um orgasmo a cada vitória do  Phelps na piscina. Chega a ser enjoativo.

O que mais gostei até agora são dos comentários de Sônia Bridi e companhia, ensinando sobre a China (comprei o livro dela).

E o ponto mais triste, verdadeiro motivo deste post, é o fato da Geórgia estar passando por horrores, invadida pela Rússia, enquanto o mundo comemora medalhas e recordes, numa indiferença revoltante com o sofrimento de tantos inocentes.

O ser humano só é humano com a sua família. Pouca gente se importa com os vizinhos, com os empregados, com os mendigos, ou com os povos em guerra. Guerra sempre arquitetada por um punhado de homens em busca de poder, executada por outro punhado de homens que trabalham nas forças armadas e não podem deixar de obedecer, vitimando primeiro os inocentes, lançando bombas sobre prédios civis cheios de gente como a gente e ainda querendo explicar, se justificar perante os outros povos. Não existe uma justificativa plausível para a guerra!

Os atletas da Geórgia são, muitas vezes, brasileiros naturalizados para terem a chance de participar de uma Olímpíada. Como ficará a situação deles?

É, nosso Presidente poderia esquecer um pouco a preocupação de sediar uma Olimpíada e se dedicar (com sua equipe, é claro) a formar atletas e cidadãos, gente com orgulho de ser brasileira.

Por tudo isso, não consigo vibrar como antes diante de nossos atletas. E olha que gosto de esportes (menos de futebol).

Volto ao meu livro sobre a China. Nele, ainda consigo perceber que existem regimes mais opressores e gente mais infeliz que no Brasil. Numa humanidade (?) de contrastes, lá estão também os mega-empresários, as grandes fortunas, gente que não come grilo, escorpião e cobra, com certeza!



Escrito por Maria Luiza às 11h39
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MEU PAI

Hoje quero cumprimentar todos os PAIS que estiverem me lendo!

E também:

Meu ex-marido, que é pai dos meus meninos que, por sua vez, são a chave que faz meu mundo girar.

Meu atual marido, que é um paizão para os 5 filhos dele!

Meu irmão, pai exemplar e amoroso de seu filho único!

Meu filho mais velho, que é um Pai super dedicado e responsável de seu filhinho.

Meu filho do meio, que vive encantado com sua bebezinha.

Agora, para falar sobre os Pais, tenho que me reportar ao meu, não há como escapar. Eu o perdi há oito anos, mas o tenho bem vivo na memória e no coração.

Fecho os olhos e sou capaz de sentir o cheiro do seu roupão pendurado no banheiro, um misto de loção após a barba e cigarro de palha. Era um cheiro muito agradável para mim, pois era o cheiro do meu pai.

Lembro das minhas mãos pequenas, no meio das dele, quando ele queria me ensinar a ensaboá-las antes das refeições.

Ainda o vejo sentado no meu quarto, tomando seu chimarrão, quando eu estava doente e ele queria me fazer companhia.

Dele recebi o estímulo para as letras, a música, a dança. Ele mesmo era aviador, poeta, jornalista e pertencera a grupos de teatro em sua cidade natal – Uruguaiana- RS.

Sempre que precisava alguma coisa, sentia alguma dor, ou tinha medo, a primeira palavra que me vinha à boca era – PAI!

Era ele quem atendia os filhos à noite, que levantava para ver se não estávamos descobertos nas madrugadas frias, que me levava ao banheiro e ouvia minhas explicações para alguma bronca da escola.

Meu Pai era a minha segurança. Dele recebi uma noção exata dos valores que realmente importam na vida e pude repassá-los aos meus filhos.

Não tive um pai "bonzinho" ou permissivo, mas tive um PAI.

Hoje, muitos jovens se ressentem da falta de um pai assim, que lhes dê limites e aponte os melhores caminhos para eles.

Meu pai tinha uma linda voz de tenor e, quando alegre, cantava no banheiro, no pátio, chamando atenção de quem passava.

Dançava sozinho, rodopiando e cantarolando trechos de ópera ou tangos argentinos.

Foi um avô maravilhoso para os netos, deixando marcas indeléveis em cada um deles.

Hoje, eu daria anos de vida para poder abraçar seu Ramos, passar as mãos em seus lindos cabelos brancos, segurar sua mão, rever seu olhar e seu sorriso e ouvi-lo, mais uma vez, me chamando de "Baísa".

Feliz Dia dos Pais!



Escrito por Maria Luiza às 10h31
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PRECISAVA LEVAR O GALVÃO?

Gosto muito de esportes. O que menos me atrai, ao contrário da maioria dos brasileiros, é o futebol. Por isso, vibro muito mais com Olimpíadas do que com Copa do Mundo de Futebol.

Aprecio muito todos os programas que são feitos para nos familiarizar com o país sede dos jogos, neste ano a China. Tenho aprendido muito sobre a riquíssima e milenar cultura chinesa.

Assisti embevecida à abertura dos Jogos Olímpicos de 2008, cheia de admiração pela elegância dos rapazes chineses e seus corpos magros e ágeis, bem diferentes dos povos que se entopem de fast foods. Além disso, a sincronia perfeita de movimentos, a graciosidade diáfana das bailarinas, os movimentos quase etéreos do tai chi chuan, a voz clara e forte da menininha cantando, a história das invenções, enfim, achei uma abertura cultural, diferente daquelas cheias de cantores da moda e efeitos especiais.

Agora, precisavam levar o Galvão Bueno???

Ele só atrapalhava  as tentativas de explanação dos jornalistas que realmente entendem da China e da cultura oriental, como Sônia Bridi e Marcos Uchôa, dizendo bobagens (tipo Faustão),  num des-serviço total. Duas pérolas dos seus comentários: "- Vamos descrever a abertura sem nenhum professorismo ( seria didatismo?)..."  Ou: "- Estes anéis representam a integridade entre os povos... (acho que ele queria se referir à integração)."

Minha vontade era de gritar para ele, furibunda:

- Por que no te callas?



Escrito por Maria Luiza às 11h23
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"ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO, INCULTA E BELA"

 

A necessidade do uso da língua passa pela função básica da comunicação entre os seres humanos. Mais do que o guarda-roupa ou a conta bancária nivela as pessoas, estabelecendo relações que ultrapassam as meramente físicas. A "conversa" entre pessoas que usam códigos diferenciados para se comunicar não se estende por muito tempo, logo se criam lacunas difíceis de preencher. Daí a busca por seus "pares", por aquelas pessoas cujo emprego da língua obedece a padrões semelhantes. Os olhos falam, sem dúvida, a mímica também ajuda, entretanto, chega um momento em que se quer "dizer" e "ouvir" alguma coisa, o que não é o mesmo que "falar" e "escutar".

Ler e escrever. Objetivos primordiais de toda a instrução escolar e que se deveriam manter ao longo da existência. O estudante não lê e escreve mal, quando escreve. Opera o computador, realiza cálculos difíceis, decora infinidades de nomes, fórmulas e conceitos, freqüenta aulas de inglês desde pequeno, mas se atrapalha todo no Português, que não é uma língua fácil, possui mais exceções do que regras e uma ortografia complicada. No entanto, é a língua oficial do Brasil e espera-se que os brasileiros dela façam (bom) uso para se comunicar.

É na Universidade que se solidificam os conhecimentos, até mesmo porque, nela, o estudante já tem uma consciência mais plena do que precisa e pretende em sua vida profissional. Pois bem, excetuando os cursos de Letras e alguns poucos dos quais a disciplina de Português figura nos currículos apenas em um semestre, a grande maioria dos acadêmicos não terá mais contato com a língua-pátria.

O resultado está aí. Só não vê quem não quer, ou não tem também conhecimentos suficientes para perceber as verdadeiras aberrações que profissionais das mais diversas áreas cometem em nosso pobre vernáculo. Médicos que titubeiam na hora de preencher um atestado, engenheiros aos tropeções nas cedilhas e dois esses, técnicos das mais diversas áreas engolindo acentos e salpicando vírgulas como se fosse orégano... que desalento!

Na alta competitividade do mercado de trabalho, a fluência no inglês tem sido prioritária. O profissional recém formado que não souber se expressar na língua de Shakespeare encontrará muitas portas fechadas, ainda que possua redação própria e uma cultura geral razoável. Depois, saberá ler com perfeição os manuais de produtos importados e pedirá socorro na hora de enviar um simples ofício a alguém.

Tecnologia de ponta, experiências nucleares, informatização irrestrita, tudo muito válido e importante, se for apoiado numa cultura mais ampla, que englobe a vida como um todo e estabeleça relações de solidariedade e parceria com seus semelhantes. Caso contrário, meros robôs programados para atuar em determinada área e totalmente despreparados para a complexidade desta existência terrena.

Além da competição instaurada (e estimulada!) entre os profissionais da mesma área de atuação, nota-se, nas grandes Universidades, certo menosprezo para com os cursos de Educação, motivado pelos baixos salários injustamente pagos a estes profissionais - como se construir uma ponte fosse mais importante do que formar uma turma de quarenta crianças ou adolescentes!

Só que os cursos que preparam professores costumam dar grande realce à língua materna e, nos contatos interpessoais que se estabelecem na vida pós-universitária, os alunos de Letras destacam-se dos demais na intimidade que adquiriram com a palavra escrita.

Profissionais competentes, reconhecidos em seu meio, respeitados - leiam! A boa leitura elucidará dúvidas ortográficas e gramaticais e possibilitará uma maior desenvoltura na hora de redigir. Sempre é tempo de resgatar o velho e bom Português!



Escrito por Maria Luiza às 13h37
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O HÁBITO NÃO FAZ O MONGE

Ditos populares encerram muita sabedoria. Até por conseguirem sobreviver a todas as gírias e modismos lingüísticos.

Sempre observei que a roupa abre, ou fecha, muitas portas durante a vida. Pessoas mal vestidas, amarfanhadas, já possuem crachá de desleixo e conquistam antipatias instantâneas.

Por outro lado, aquelas pessoas que parecem saídas de uma vitrine ganham crédito imediato, muitas vezes sem merecer.

Ricos excêntricos (ou pão-duro) vestem a primeira roupa que encontram, sem se preocupar em combiná-la com coisa alguma. Mas entram num carrão, moram num apartamentão e possuem cartões de crédito internacional com limites a perder de vista.

Pobres vaidosos não vão nem à padaria sem caprichar no visual, na maquilagem, no penteado, nos acessórios (até isso!). Na linda bolsa, cópia de marcas famosas, não se encontra nem uma moedinha, mas a pose é de quem está podendo.

Tem gente que come muito mal, que tem uma geladeira desértica para poder usar tudo o que está na moda.

Tem gente que economiza até sorrisos para desfilar nos shoppings e comprar tudo o que vê pela frente.

Enfim, tem gente de tudo quanto é tipo neste mundão de meu Deus. Ficaria dias citando cada um deles e não esgotaria as nuances.

O que quero mesmo é contar que fui encerrar minha conta num banco privado, desses que estão sempre no topo da pontuação, sendo atendida por um gerentezinho de vinte e poucos anos, muito bem trajado (de terno risca de giz e gravata), simpático, com gel nos cabelos e perfume marcante, que me deixou aturdida com seus erros de português ao falar.

Era um tal de "aqui com nós", " trabalhar com nós", "conversar com nós" que eu já não estava mais conseguindo me conter, temendo que me atacasse a veia de professora e começasse a corrigi-lo.

Por isso, vou colocar aqui no blog um texto que escrevi há algum tempo (e que consta do meu livro), porque percebo a sua atualidade.

Vamos ler minha gente!



Escrito por Maria Luiza às 13h35
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PARABÉNS PRA MIM!

Hoje tenho que me render e me dar um grande abraço.

Faz 2 anos que me livrei do cigarro!

Depois de alimentar este hábito por 38 anos.

Numa época de aposentadoria, de filhos saindo de casa, de tanta instabilidade emocional.

Sem ter sido gorda até então, vi-me com 10 kg a mais. Para uma mulher, não é pouca coisa, é um nocaute na vaidade e no guarda-roupa.

Precisei continuar convivendo com os cigarros do marido...

Tive que mudar todos os hábitos, toda a rotina, todo o meu jeito de ser.

Hoje, quando acho que estou me acostumando muito a determinada coisa, corto logo. Nunca mais quero me tornar dependente de vício algum!

A sensação de liberdade é o melhor de tudo.

O olfato que retorna, a voz que se torna mais cristalina, o paladar que fica mais refinado, o perfume mais duradouro e puro, tudo isso compensa a privação, que é bem difícil. Só quem já fumou bastante tempo pode avaliar com precisão.

Parabéns para mim, então. Eu consegui. Ainda bem.



Escrito por Maria Luiza às 13h54
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DOMINGO

Hoje é domingo. Dia do Senhor. Dia da família. Dia de futebol na TV. Dia de cerveja gelada. Dia de churrasco ou macarronada. Dia de caminhar. Dia de ler o jornal. Dia de pensar. Dia de dormir de tarde e até mais tarde. Dia de refazer as promessas de segunda-feira. Dia de sentir saudade da(o) amante. Dia de pegar filmes na locadora e não assistir nem a metade. Dia da pipoca. Dia da pizza no jantar. Dia de xingar o Faustão. Dia de se entupir de anti-ácidos. Dia de ficar com "cara de domingo". Dia de ligar para os parentes distantes. Dia de implicar com o cachorro. Dia de se arrepender. Dia de achar que fez tudo errado. Dia de não poder enxergar sua cara no espelho. Dia de reclamar da solidão. Dia de reclamar do excesso de gente e de trabalho. Dia de fuçar no orkut dos amigos e dos nem tanto. Dia de deletar e-mails que estão entupindo sua caixa de mensagens. Dia de ler os blogs, gostar ou não, mas não deixar nenhum comentário. Dia de missa, de culto, de meditação.

Ufa! Ainda bem que amanhã é segunda-feira!!!



Escrito por Maria Luiza às 11h51
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- VAI DERCY!

Pobre Dercy, já esfriou em sua pirâmide e eu ainda não consegui "clima" para escrever sobre ela.

Nunca fui fã de Dercy Gonçalves. Para mim, ela não passava de uma velha sem compostura. Que não se levava a sério, nem encarava com seriedade sua carreira de atriz.

Até hoje, temos atrizes e atores quase da sua idade representando magistralmente e encantando platéias com puro talento. Paulo Autran representou com câncer terminal, Raul Cortês também e assim muitos outros. Ítalo Rossi está mostrando seu fantasma num programa humorístico da TV, porque parece que já morreu e ninguém lhe avisou, mas continua ator.

Dercy não. A não ser nas chanchadas da Atlântida, seus outros papéis eram cheios de "cacos", uma vez que ela não se dava ao trabalho de decorar as falas.

Entrevista , para ela, era mostrar os peitos e dizer palavrões cabeludos.

Em suas festas de aniversário, arrancava nacos do bolo com as mãos para servir aos convidados. Eu só conseguia sentir nojo. E não é porque morreu que vou canonizá-la.

Muitas mocinhas fugiram de casa atrás do circo, de companhias teatrais, ou até de bando de ciganos, em sua época. Era comum. Parecia que qualquer vida seria melhor do que a reservada às mulheres em cidadezinhas do interior do Brasil.

Tenho pena da Dercy. Acho que ela precisava aparecer de qualquer maneira, para se imaginar imortal e menos carente de família e de amigos (tinha tão poucos). Escolheu o viés da contracultura, da apelação, do deboche e isso é logo esquecido. Daqui a pouco ninguém mais se lembrará do que ela fez, a não ser os atos bizarros que pautaram o fim de sua vida.

Como sempre, disseram maravilhas por ocasião de sua morte. Se foram sinceros ou não, a gente nunca vai saber. A classe artística é muito unida, protegem-se dos críticos e da opinião pública. Por serem continuamente criticados, evitam de criticar uns aos outros, o que é perfeitamente compreensível.

Mas dizer que Dercy foi uma grande atriz e tudo aquilo que disseram... sei não, acho que foi mais um tributo aos seus 102 anos. Que nem precisava, pois alguém que vive tanto e com saúde, já recebeu recompensa e glória suficientes em vida mesmo.

- Vai Dercy! Estava na hora. Um dia este dia teria que chegar. E cuidado para não mostrar os peitos no Céu, pois são Pedro pode não gostar hein!



Escrito por Maria Luiza às 17h02
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DECEPÇÃO

Dia desses, numa das minhas viagens, comprei uma revista "Marie Claire" para passar o tempo, já que meu livro tinha acabado.

Uma das reportagens me chamou a atenção. Tratava de uma nova escritora, blogueira, chamada por eles de "Menina veneno". É uma gaúcha, filha de hippies, vocalista de uma banda de rock, cheia de tatuagens e apresentada como "uma das mais polêmicas blogueiras do país". Vou até contribuir para esta fama, dando o endereço do blog dela, segundo a revista com mais de duzentos mil acessos. (http://adioslounge.blogspot.com)

Mal cheguei diante de um computador e já acessei, curiosa para entender a mágica de se cativar tantos leitores.

A não ser que tenha mudado radicalmente durante minha convalescença, não encontrei NADA que me fizesse voltar lá. Músicas, imagens, programações, mas conteúdo Zero.

Então pensei, como uma pessoa assim consegue ficar famosa, merecendo páginas de uma revista bem conceituada? Alguém que diz que é "meio bipolar"; que chega anunciando que casou na véspera, assim, de estalo e que seu telefone está cortado por falta de pagamento, não é uma pessoa que eu imagine que tem algo a me dizer.

Sei lá, vão lá vocês e, se quiserem, deixem sua opinião.

Eu me revolto de saber que há tanta gente escrevendo bem no Brasil e no mundo, e que essas pessoas buscam este tipo de escritura que não leva a lugar nenhum, a gente fica dando voltas como cachorro atrás do rabo e não cresce, não aprende, não reflete, nem mesmo se diverte lendo.

E a mídia gosta.

Por que será?



Escrito por Maria Luiza às 17h45
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- VAI PRA PEQUIM!

Estou irritada hoje.

Cansada desta fraqueza, deste desânimo, destes suores, enfim, quero reagir, comer salada, beber vinho, fazer ginástica.

Como não suporto nem a idéia de realizar estas coisas, corriqueiras na minha vida, acabei sentindo uma irritação profunda, principalmente em relação a chá com bolacha de água e sal e canja de galinha (anêmica que só ela...).

Minha irritação estende-se às pessoas que me cercam, ao barulho da TV, às reportagens sem sabor do jornal (serei eu a insossa?) e até ao sol, debochado, que insiste em brilhar criando dias lindos, para alguém que não sai do quarto (ou do banheiro).

Até a fidelidade canina da minha cachorrinha está me irritando. Ela parece que tem parte com o coala (aquele animalzinho que dorme 20 h por dia e come nas outras 4h). É até cinzenta como ele e resolveu ficar de quarentena comigo. Onde me jogo ela se joga em cima e fica me apertando e me esquentando com seus pêlos. Come e dorme  e está quase uma porquinha cinzenta. Um saco!

Por isso, já falei:

- Ou ela se ajeita e me deixa em paz, ou vou mandá-la para Pequim com a delegação de vôlei masculina (que me decepcionou hoje).

Sei que uma cachorrinha bem gordinha como ela vai fazer o maior sucesso na China...hahaha...

Bem feito! Já falei que tô irritada!

 



Escrito por Maria Luiza às 18h50
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RESSUSCITANDO

Pois é meus amigos...

Sabem aquela gripe forte que andava derrubando todo mundo? Eu peguei.

Conhecem uma das possíveis complicações de uma gripe forte, a sinusite, aquela doença em que nosso rosto e cabeça não param de doer e que nos rouba o olfato e o paladar? Pois eu também tive.

Já ouviram falar num tal de rotavirus, que anda semeando gastro-enterites por todo lado? Também tive. Até por estar saindo de outra doença e com a resistência baixa.

Hoje, após seis dias de vômitos e diarréia quase intermitentes, o que sobrou de mim conseguiu estender a cama, lavar os cabelos e encontrar o computador.

Mais magra, desidratada, pálida de dar dó, com pressão arterial de 9 por 6 e apenas 68 batimentos por minuto, este é o dia em que me sinto melhor (imaginem os outros).

Vim dar uma satisfação para vocês e prometer um breve regresso. Se Deus quiser!

Ps.: Será que foi praga de nora? Mas elas me amam tanto...



Escrito por Maria Luiza às 10h51
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AMIGOS

Que seria da gente sem os amigos?

A quem lançar aquele olhar de cumplicidade?

Com quem explodir numa sonora gargalhada, ao mesmo tempo, por um motivo que só a gente conhece?

Quem forneceria álibis tão perfeitos, até sem combinação prévia?

Quem nos defenderia acaloradamente, quando tentam nos apunhalar pelas costas?

Para quem contaríamos as novidades em primeiríssima mão?

De quem aceitaríamos críticas, sabendo que o objetivo maior delas é sempre nos melhorar?

Quem ficaria triste conosco e por nós?

Que mão nos passaria maior firmeza? E maior calor humano?

Ah, amigos, vocês são os irmãos que escolhemos e é muito justo que tenham criado um dia para comemorar este sentimento tão completo, que é a amizade.

Feliz de quem tem muitos e verdadeiros amigos, porque amigo-da-onça não conta.

Sintam-se, portanto, abraçados por mim. Mesmo aqueles que não conheço pessoalmente, mas que, ao ler meu blog, demonstram uma afinidade comigo.

Vocês são vitais na minha existência! Obrigada!



Escrito por Maria Luiza às 20h03
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