A PENEIRA DO TEMPO

Não sabemos de quanto tempo dispomos no mundo. Melhor assim. Caso contrário, seria nossa passagem por aqui tão programada que pouco sobraria para o inusitado, a aventura, as tentativas, aquilo tudo que dá sabor à vida.

Dizem alguns que, na hora da morte, costuma passar um tipo de filme da vida da gente. O quê esperamos ver nesses instantes derradeiros? Os erros, os acertos, os riscos, o bom, o ruim?

Já falei aqui que não sei meditar, acho dificílimo esvaziar a mente e só ver cores nela. Agora, pensar eu sei e o faço até com certa desmedida.

Num desses momentos em que meus olhos voam (agora por dentre a rede de proteção da sacada), tentei contabilizar meus feitos nesta vida e fiquei cansada.

Quantas fraldas troquei, quantas mamadeiras preparei, quantos banhos dei, quantas unhas cortei, quantos beijos e abraços dei, quantas provas corrigi, quanta louça lavei, quanta comida  e merendas para a escola preparei, quantas músicas toquei no piano, quantas cantei, quantas dancei, quantas ouvi, quantas cartas escrevi, quantos filmes assisti, em quantas brigas me envolvi, quantas orações fiz, quantas fotografias, quantos sorrisos, quantas lágrimas, quantos "não" fui capaz de dizer, quanta saudade, quanta ingratidão, quantas calúnias sofri, quantos pré-julgamentos fiz, enfim, todas essas coisas que compõem a VIDA.

A vida é tudo isso. E é muito pouco.

Na fina peneira do tempo só os grandes permanecem. O que terei feito de "grande", que não se escoe pelos furinhos da peneira dos dias, meses e anos?

Até aqui, mesmo tendo sido pró-ativa a vida toda, só encontro quatro talentos retidos na malha fina - meus três filhos e meu livro, sendo que dois filhos já trazem seus rebentos ao colo. E é só.

Percebo que o mundo passa muito bem sem mim e que não sou absolutamente importante para nenhum projeto da humanidade. Minha biografia é desinteressante de tão normal e mesmo os pequenos vôos, que julguei tão ousados, não são nada diante da experiência da maioria dos escrevinhadores.

Espero ainda ter tempo de escrever mais livros e, quem sabe, contribuir efetivamente para a roda do mundo, destacando muitos outros talentos na minha peneira.

Oxalá!



Escrito por Maria Luiza às 20h32
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DESARMAMENTO - enésima parte.

Assistindo ao "Profissão Repórter" da Globo vejo, estarrecida, o disparate de que existem quarenta gangues mapeadas só em Brasília. E quantas ainda sem registro? E em cidades como São Paulo, Rio, Salvador, Porto Alegre, Recife?

Que estranha necessidade é esta de jovens delinquentes se reunirem em bandos para cometer toda sorte de atrocidades?

Disseram no programa que quarenta por cento das mortes causadas pelas gangues são por motivos fúteis. Quer dizer, a metade delas atesta a crescente desvalorização da vida por parte dessas criaturas.

Objetivamente, as mortes acontecem porque estes adolescentes portam armas.

Sempre fui contra o porte de armas para civis. Fiz campanha e votei contra , apesar de gaúcha e do fascínio que os gaúchos têm por andarem armados.

Penso que  só as Polícias e as Forças Armadas deveriam portar armas e as demais teriam de ser destruídas, implodindo inclusive as fábricas de armamentos que não fossem para exclusivo uso militar. Duvido que os assassinatos não fossem diminuir!

Claro que logo virá alguém alegando que esses comerciantes são honestos e precisam sobreviver. A mesma lengalenga dos fabricantes de cigarro e de cachaça. Acontece que quem se dana é o povo!

Além desta medida extrema, a outra saída seria tentar reestruturar as famílias. Numa família onde se respeite os pais (e eles saibam se dar ao respeito) duvido que esses jovens se reunissem para fazer baderna, destruir o patrimônio, roubar e matar.

Exemplos sociais seriam benvindos, com seriedade, honestidade e responsabilidade no trato com o público, seus direitos e seu dinheiro.

 Quero crer que este descaso  com a vida seja reflexo de uma sociedade corrompida, de famílias desmanteladas, de escolas que não cumprem seu papel social, da falta de perspectivas, da inversão de valores, da ausência de religião e até dos programas lamentáveis que a juventude assiste na TV.

Enquanto estes jovens perdidos, esquecidos, sem eira nem beira e sem comando arregimentam-se em pelotões do crime, nós, minoria, tentamos incutir esprança e solidariedade em nossos filhos e os largamos pelas ruas desse mundo cão, à mercê da bandidagem, tentando batalhar por seus ideais.

Se, pelo menos, eles não portassem armas...

Deus nos livre!



Escrito por Maria Luiza às 18h44
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FLORBELA

Estou cansada. Tive um final de semana agitado, com festas, hóspedes, conversas regadas a vinho e noites curtas,portanto, na segunda-feira é dia de reordenar a casa e a vida, então... Não posso deixar meus leitores sem uma "tinta fresca", por isso, vou me socorrer de um soneto da minha poeta portuguesa preferida, que diz muito de mim, do que penso e sou.

 

VERSOS DE ORGULHO

Florbela Espanca

O mundo quer-me mal porque ninguém

Tem asas como eu tenho! Porque Deus

Me fez nascer Princesa entre plebeus

Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além...

Porque trago no olhar os vastos céus

E os oiros e clarões são todos meus!

Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!

O mundo! O que é o mundo, ó meu Amor?

- O jardim dos meus versos todo em flor...

A seara dos teus beijos, pão bendito...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...

- São os teus braços dentro dos meus braços,

Via Láctea fechando o Infinito.

Gostaram?

A gente precisa alimentar o espírito né? E é disso que ele gosta!



Escrito por Maria Luiza às 19h13
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