SOLIDÃO ON-LINE

Taí uma coisa que eu pensei que não existisse. Afinal, o mundo virtual é vasto e os recursos de interação variados. Mesmo assim, ando me sentindo sozinha.

Quase todo o tempo que me sobra venho correndo para cá postar alguma coisa. Os comentários, que já eram poucos, agora desapareceram de vez. Quanto a isso, nem fico muito incomodada, uma vez que sempre escrevi para jornal, onde as pessoas lêem, comentam entre elas ou não, mas a gente nunca fica sabendo.

O orkut me deu presentes especiais, como o reencontro de velhas amizades, os laços mantidos com os ex-alunos, a família das pessoas que nos importam registradas em fotos e por aí vai. Dá trabalho preparar os álbuns, o que nos motiva é a possibilidade de apresentarmos os novos membros da família aos amigos distantes, ou nossa rotina longe deles. Só que, de vez em quando, parece que ninguém mais está interessado...

Do MSN não gosto. Prefiro escrever a dialogar, conversar, ainda mais com as letras saindo todas erradas pela pressa. Perde-se horas teclando e , no fim das contas, não se disse nada. Quase como o telefone, que só serve mesmo para dar ou receber notícias e ouvir a voz de quem não podemos ter ao nosso lado.

O e-mail é outro problema. Um veículo tão eficaz e rápido de comunicação, usado em noventa e oito por cento das vezes só para repassar coisas, a maioria delas bem desinteressantes. Por que as pessoas não mandam um bilhetinho, contam algo pessoal, pedem notícias?

Pode ser que passe, entretanto, no momento, já começo a examinar minha estante de livros e separar os que ainda não li e os que desejo reler.

Este mundo virtual, no atual formato, está deixando muito a desejar para mim.



Escrito por Maria Luiza às 11h50
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ESCLARECIMENTO

Continuo professora de português, mesmo aposentada. Por isso mesmo, acho de um sem sentido imenso esta tal reforma ortográfica que meia dúzia de desocupados estão nos enfiando goela abaixo, apenas para mostrar algum serviço.

Portugal dificilmente vai aceitar as mudanças e também não tem mesmo porque aceitar, afinal se tudo é diferente aqui e lá, porque cargas d'água a língua deverá ser uniformizada?

Se ainda fôssemos passar a ganhar em euros, se pudéssemos importar a cultura e a educação dos irmãos europeus, até valeria a pena.

Temos dois anos para nos adaptar às mudanças e neste período podemos escrever das duas maneiras.

Eu pretendo continuar com minha ortografia que levei anos aprimorando até o último dia permitido. E com muita esperança de que, até lá, esta baboseira tenha sido desfeita e tudo fique como está.

Portanto, caros leitores, escrevo do mesmo jeito propositalmente. Até comprei gramáticas e dicionários com a tal reforma, mas nem os abri.



Escrito por Maria Luiza às 19h38
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LIVRO ABERTO

Você certamente já ouviu esta frase: "minha vida é um livro aberto!"

Pois é, eu também. Só que tenho sérias desconfianças em relação às pessoas que fazem este tipo de declaração. No meu entendimento, das duas uma: ou a pessoa é tão vazia e superficial que seu livro aberto traz todas as páginas em branco ou suas gavetas têm fundo falso, como a maioria das gavetas.

Não sei que vantagem há em escancarar sua vida, seus pensamentos, seus anseios para todo mundo. Também não vejo nenhuma virtude em quem o faz. Pelo contrário, acho de uma chatice sem limites alguém nos obrigar a conhecer picuinhas nas quais não temos o menor interesse. Porque os grandes segredos, os mistérios que valeriam a pena ouvir, estes raramente são contados e para poucos eleitos (nunca para esses do tal "livro aberto").

Penso que, se por um passe de mágica minhas incontáveis gavetinhas fossem expostas, eu criaria outras imediatamente, apenas para não pertencer ao roll dos "transparentes".

Cada ser humano é um universo à parte, único, indivisível, indevassável. Nossa cabeça é o reduto dos nossos segredos e o maior dom que recebemos do Criador, já que ainda não criaram mecanismos fáceis de ler pensamentos.

Não é preciso que se tenha um grande segredo (se tiver, ainda melhor), mas mesmo os pequenos segredos merecem ser guardados. Uma receita de bolo que só nós conhecemos, uma cantada infalível, hábitos que cultivamos em nossa intimidade, pecadinhos variados desde a gula até outros mais sérios. Enfim, é o nosso universo interior que não pertence aos nossos pais, nem aos maridos, nem às esposas, apenas a nós mesmos e aos amigos que elegemos para compartilhar dele.

As pessoas que vivem repetindo que "não têm nada para esconder" poderiam rechear mais sua vida, suas idéias, seu espírito e até esconderem algumas coisas para serem reveladas no momento certo à pessoa certa, ou para morrerem com elas. Vidas assim "preto no branco", "pau ou pedra", "sim ou não" ficam muito próximas dos nossos animaizinhos domésticos; nosso cérebro tem capacidade para muito mais do que isso!

Até porque entre o preto e o branco existe o cinza e mais uma porção de cores. E assim entre a verdade e a mentira, entre o certo e o errado, entre o sim e o não. Que seria do talvez?



Escrito por Maria Luiza às 19h31
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