SEPARAÇÃO DIFÍCIL

Bem, acho que separação é sempre difícil. E sofrido.

Juntar é bom, separar já tem dores implícitas, de maior ou menor grau, mas tem.

Ficamos doze anos juntos. E bem juntos. Sempre juntos, para todos os lugares.

Ninguém ficava mais feliz com a companhia um do outro do que nós. Aliás, sofríamos muitas críticas... Te chamavam de velho, ultrapassado, sem entender como eu fazia tanta questão de te ter por perto.

No começo era diferente. Só elogios.

Depois, nesta volubilidade humana, foram te encontrando defeitos e procurando me convencer de que não servias mais para mim. Como se eu também não fosse velha e ultrapassada...

Participaste de tantos momentos importantes da minha vida. Formaturas, casamento, maternidade para conhecer os netos, estavas sempre lá, ao meu lado.

Nunca me envergonhei de ti, nunca te tratei mal, pelo contrário, estavas sempre muito bem cuidado, demonstrando a todos meu zelo por ti. Inclusive agora, diante da separação iminente, fiz questão de te deixar ainda mais lindo e perfumado, assim como uma mãe que dá o filho para adoção, mas faz questão de entregá-lo arrumadinho.

Por que esta separação agora???

Há dias não durmo direito, agoniada, antevendo o dia em que não nos veremos mais. Vou sentir tanto a tua falta!

Detesto este desapego exagerado das pessoas hoje em dia. Tudo o que é bom num dia, no outro já não vale mais nada. Eu não sou assim. Considero-me responsável por tudo aquilo que um dia chamei de "meu".

Mas não pude evitar. Não tive argumentos. Fui voto vencido. Então, vou ter que te ver partir, mesmo com o coração apertadinho. Tomara que cuidem bem de ti! Oxalá esta outra mulher tenha por ti o mesmo apreço que eu, respeitando tua idade, teus limites, teu conforto. Não foi fácil retirar todos os vestígios da nossa longa convivência. Senti-me como alguém que trabalhou anos numa empresa e precisa limpar suas gavetas porque foi mandado embora.

Enfim...

meu Gol verde, 96, todo original, brilhando, sem nunca ter dado oficina, de pneus novinhos, teve que ser vendido. A tal da direção hidráulica foi o argumento vencedor. E o calor de quarenta graus deste verão infindável, sem ar condicionado, pesou o restante.

Além disso, ganhei um carro novo! Lindo, grande, vermelho, moderno, um presente irrecusável.

Mas vou sentir muita falta do meu carrinho... pois ele, para mim, já parece aquele chinelo velho, cômodo, que não machuca nossos pés e nem sentimos ao caminhar.

Sou assim. Fazer o quê?

Um  dia, quem sabe, aprendo a gostar deste outro...



Escrito por Maria Luiza às 19h49
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DECEPÇÕES ACADÊMICAS

Todas as academias, vez por outra, podem decepcionar.

Desta vez, refiro-me à Academia de Cinema, aquela que outorga o OSCAR aos destaques da indústria cinematográfica.

Sou contra tudo o  que agrada à maioria, nem por ideologia, mas porque meu gosto dificilmente bate com o da multidão.

Detesto best-sellers (nem leio) e tenho sempre um pé atrás com os filmes que recebem o prêmio da Academia. Mesmo assim, insisto em vê-los, para poder criticar.

Ontem, depois de assistir a todos os que me interessavam, fui assistir o vencedor, o tal do show do milhão indiano. Que decepção!

Filme de enredo fraco, mostrando o que há de mais podre, feio, triste e miserável na Índia. Parecia mais um documentário e, olhado por este ângulo, até que seria mais justificável.

Detesto estes filmes brasileiros que só mostram o nosso pior. Como se já não bastassem os telejornais!

Ver o pior da Índia foi pavoroso, pois, com aquela superpopulação, a miséria, a violência, o grotesco são elevados à enésima potência.

Sei que muitos dramaturgos e cineastas defendem a idéia de que estas artes não devem servir apenas como entretenimento, mas como catarse, purgação dos nossos males e, inclusive, conscientização.

Hoje em dia , no entanto, quando já vivemos encurralados diante de tanta violência, quem vai querer ir ao cinema para ver mais violência, miséria, banditismo, crueldade?!

Não sou alienada, sei que tudo isso existe, me comove, me dá muita vontade de transformar esta dura realidade, tanto da Índia, como da China, do Brasil, da África e de tantos outros povos. Penso nisso com frequência e defendo melhor distribuição de renda, honestidade, fraternidade, justiça.

Agora, quando me permito ir ao cinema, quero ver ARTE, quero inundar meu espírito de coisas superiores, quero fugir do mundo-cão, quero respirar, quero me emocionar com a beleza.

E este filmeco indiano e inglês, que levou oito Oscars, não conseguiu penetrar nem na camada mais superficial da minha sensibilidade.

Se você assistiu e gostou, gostaria de ouvir sua opinião. Vou respeitá-la. Prometo.



Escrito por Maria Luiza às 21h25
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