EU SOU MEDÍOCRE!

Sempre quis ser diferente, a diferença, mas acho que sou mesmo medíocre, como a maioria dos mortais.

Ainda me importo com a aparência dos filhos, roupas limpas, cabelos bem penteados, etc.

Vivo pegando no pé dos netos para que comam comidas saudáveis, orgânicas e tudo o mais.

Incomodo-me com com porta-retratos fora do lugar, poeira nos móveis, rugas no tapete (o que pode ser mais supérfluo do que isto?).

Até meu computador é organizado (minhas gavetas então!).

Tudo sintoma de mediocridade, pensar pequeno, ater-se a detalhes insignificantes.

Meu filho paga uma fortuna para o filhinho dele frequentar uma escola construtivista e eu, que levo o menino todos os dias para a aula, fico indignada com a falta de limites, com a liberdade excessiva e o risco de se machucarem naquela correria insana pelo grande espaço livre antes da aula começar. Minha mãe, uma sábia de 89 anos (nesta idade quem não ficou sábio ficou gagá), diz que a escola é uma verdadeira colônia de férias. O uniforme não é cobrado, não existe nenhum tipo de campainha, as salas são de uma simplicidade espartana e o pátio de areião é cheio de árvores. Um paraíso para as crianças de apartamento e a medíocre aqui fica insegura com a aprendizagem, depois de se calejar lecionando na escola tradicional.

Não tenho sapato de salto "meia pata" (última moda), não sei meditar (não consigo parar de pensar), não tenho roupas com grafismos africanos, sou medíocre portanto. E devo viver em um ambiente medíocre, pois conheço tanta gente mais medíocre que eu!

Sou tão medíocre que teimo em comungar todos os domingos, mesmo sendo divorciada e continuo indo à missa apesar da suprema ignorância de um arcebispo, capaz de ser contrário ao aborto de uma criança de nove anos, abusada desde os seis(!) por um padrasto, companheiro de uma falsa mãe, que talvez fingisse não ver o crime para não perder o parceiro.

Sou tão medíocre, enfim, que coloco a mãe, o padrasto e o arcebispo no mesmo saco!



Escrito por Maria Luiza às 11h14
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ESPELHAMENTO

Sempre disse que minha alma não combina com meu corpo. Ela é magrinha, branquinha, de cabelos escuros, longos, com cachos brilhantes, dedos longos, voz suave.

Como conseguir credibilidade como intelectual tendo corpo de violão, lábios grossos, voz de professora? Onde já se viu uma escritora de bunda grande?

Pois é, às vezes, levo um susto quando me vejo em alguma vitrine, caminhando apressada pela rua. "Aquela" sou eu? Decididamente, meu interior difere demais do exterior.

Dizem que a TV engorda três quilos as pessoas. Será por isso que quase todas as atrizes e atores estão ficando esqueléticos? E bastante envelhecidos também. Será que eles se vêem diferentes?

Muitas pessoas perguntam se minha netinha é minha filha, quando passeamos de carrinho pelo bairro. Como?! Pois é, acho que elas não me enxergam do jeito que eu me vejo.

Qual é a visão mais exata? Do espelho, da TV, das outras pessoas, de nós mesmos?

O que você acha?



Escrito por Maria Luiza às 19h14
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