UM ANO SE PASSOU...
Parece mentira, mas está fazendo um ano que embarcamos em nossa linda viagem pela Europa!
Para mim, foi a concretização de um sonho de toda uma vida. Esperei me aposentar, formar os filhos, receber o FGTS e, finalmente, conhecer Paris!
A bem da verdade, já chegamos lá meio bombardeados, depois de 20 dias num ônibus sem muito espaço, nem banheiro. As roupas meio amarfanhadas, os Pinóquios rebentando as malas, os souvenires se acumulando na bagagem que desafiava os músculos de Dom Diego na hora de colocar tudo no bagageiro, todos os dias!
Mas chegamos! Subimos na Torre, andamos pelo Sena de Bateaux Mouche, visitamos o Louvre, assistimos ao show do Moulin Rouge, caminhamos pelos jardins do Palácio de Versailles, compramos perfumes, enfim, vivemos Paris!
Como esquecer Lisboa, Cascais, Estoril, Sintra, Fátima, Madri, Barcelona, Toledo, Nice, Mônaco, Pisa, Roma, Florença, Veneza, Berna, e finalmente PARIS?! As paisagens suíças (e os chocolates!), aquelas refeições regadas a bom vinho, os cafés da manhã em bons hotéis, os banhos de banheira, nossas risadas, o encantamento ao ouvir os guias, ao visitar o Vaticano, ao ver a dança flamenca no “Curral de La Pacheca” (Maria do Carmo a caráter!), enfim, em 22 dias vivemos 22 anos, em matéria de aprendizado e normas de convivência.
Sim, porque não é fácil para adultos que não se conheciam, ficar quase um mês confinados no mesmo ônibus, mesmos hotéis, mesmos passeios. Foi uma prova de resistência que superamos com louvor, pois ficamos amigos, nos respeitamos e até hoje sentimos saudades daqueles dias ( eu , pelo menos, sinto e muita!).
Alguém sabe o nome daquela ponte lá de Toledo? É só apertar o nariz (pra ficar fanho) e repetir Ponte de San Martin.
E o cardápio na Suíça hein? Que dureza...todo mundo comeu a mesma coisa, sem entender bulhufas.
E os cachorrinhos nos restaurantes?
A fúria dos balconistas quando falávamos juntos, ou nos metíamos durante o atendimento a outra pessoa.
O pulo que uma mulher deu quando toquei em seu braço para pedir uma informação no metrô de Paris.
E a Maria do Carmo perdida em Pisa? Subindo ao palco no show de dança em Madri. Guardando garrafas de lembrança, campeoníssima de bagagens.
Lembram do casal Klein, que estava em lua-de-mel? Ele ficava uma arara com a Maria do Carmo! Eram paranaenses, ele era procurador (parece) e comprou aquela sandália larga de plástico que agora é moda no Brasil. Devia estar com os pés em brasa, pois comprou bem grande...rsrsrs
E as três gerações de mulheres, que sempre se atrasavam e saíam dos hotéis sem café, ainda porque a Juliana ia buscá-las no quarto? A linda Mariana, sua mãe e sua avó, que usava saltos altíssimos até que caiu deles.
Lembrei de um casal simpaticíssimo de Maringá, que quase sempre sentava perto de nós e vinha trocando figurinhas com o Paulo sobre o Paraná. É o Israel e sua esposa (que não colocou o nome na lista e a minha memória gasta não ajuda!).
Tinha um casal com filhos pequenos, morrendo de saudades das crianças, mas não consigo ligar o nome à pessoa.
Lembram das “comprinhas da Ana Paula e do Ricardo (quantos casacos de pele!)”?
Das minhas três “filhas” cariocas, com quem me correspondo até hoje? Que me chamavam de “mãe” e ao Paulo de “Don Quixote” (parece mesmo não é?).
Lembram da Ana Lúcia (Margareth Menezes), anjo bom que conduzia sempre os que tinham mais dificuldade de orientação, ou de comunicação? Até hoje vive comendo jamón, de tanto que gostou. Esta já revi, ficamos grandes amigas.
Recordam-se do Sérgio, que dividia quarto com o Nertran, e jurou nunca mais viajar sem sua cara metade?
E os dois casais gaúchos? Bem, eu também sou gaúcha, não esqueçam. A simpatia de Gil e Rose, Schmidt e Sandra! Como rimos no passeio de gôndola...
Do Pedro, sua esposa Isabel e aquele pai tão culto – Sr. Reginaldo - para quem tudo estava sempre bom?
Do Sr. Nelson, sempre tão econômico, e dona Maria Emília exercitando seu espanhol?
Dos Marson, de pouca conversa e muita simpatia?
Do Natalino e da Ana Maria, gaúchos tri-simpáticos, ele o recordista de fotos?
Do Dércio e sua mãe Teresinha, simpáticos e cultos, fazendo coleta para o presente da guia?
Da elegância do Túlio e da Teresinha, parecendo um casal de bailarinos de tango?
Do Arcílio e da Selma, reis da simpatia, ele sofrendo com a falta de banheiro no ônibus.
Seu Joaquim e Aldinéia, quietinhos e educados.
Da Patrícia e do Emerson, igualmente tranqüilos e corteses?
E os dois casais de Belém do Pará: Léa e Orlindo; Wanda e Abel? Quanta simpatia! E as piadas da Léa, quantas vezes ajudaram a passar o tempo dentro do ônibus!
E o casal de Piracicaba? Leonira e Orlindo jantaram conosco em Paris ainda no último dia. Gente muito boa!
O casal Tanabe, quietinho e risonho?
Jussara e José Pacheco, sempre no primeiro banco do ônibus. Ela já deve estar com um bebê grandinho.
O Gomes, quietinho sempre, prestando muita atenção, jantamos juntos algumas vezes.
E da Maria do Carmo, alguém lembra? Sua prima era tão quietinha que não me recordo o nome, mas lembro da sua distinção. Maria do Carmo foi a verdadeira “figura” do nosso grupo. Inesquecível!
Douglas e Léa, sempre atentos a tudo, sentados no último banco para caber suas pernas compridas. Paulo também queria sentar lá, só que eu não topava, porque os encostos não reclinavam.
Falando nisso, parecíamos colegiais, correndo para marcar os assentos, deixando casacos e frasqueiras, um marcando para outro (e levando bronca!).
Será que esqueci alguém?
Juliana, nossa guia, é claro. Tão jovem e já tão eficiente, capaz de lidar com um grupo heterogêneo, que foi se estressando ao longo dos dias e das viagens, e se saiu muito bem.
E Don Diego, nosso motorista, figura exemplar em educação, cortesia e força! Porque guardar aquelas malas todas, todos os dias, não é para qualquer um.
Passei várias listas no ônibus, tentando não perder contato com nenhum dos companheiros de viagem, se faltou alguém é porque não deixou seu endereço. Posso esquecer seus nomes, mas tenho certeza de que lembro de TODOS.
Olha, se vocês quiserem citar mais alguém, ou um fato marcante da viagem para vocês, ou seu retorno ao Brasil, mandem para mim que vou costurando na minha carta até termos um relato bem completo para mostrarmos aos nossos netos.
Não contei a vocês que ficamos um dia a mais na Espanha, porque perdemos a conexão? Fomos (sem bagagem) para uma cidade-dormitório chamada Parla, num hotel da Ibéria. Lá passamos a noite e o dia, pois nosso vôo seria à meia-noite do dia seguinte. Ao embarcarmos pela segunda vez, minha poltrona havia sido vendida duas vezes e quase ficamos mais um dia. O jeito foi me colocarem na primeira classe! Meninos, vocês não sabem o que é mordomia!!! Eu com a mesma roupa há dois dias, sem maquilagem, nem perfume, pois ficamos sem malas (só não virei a calcinha porque compramos outra!), uma bolsa feia que comprei num camelô em Barcelona (para caber mais coisas), sentada entre os ricos, engravatados, mulheres saídas das vitrines catalãs! Imaginem minha situação! Eu, uma alegretense metida à besta, escondendo os pés pra ninguém ver o sapato tão usado na viagem! Mal sentei já me trouxeram champanhe e o cardápio (isso mesmo!) para escolher a comida e o vinho do jantar. Pobre Paulo, lá atrás, sem poder desfrutar daquilo tudo comigo! Cada vez que eu me ajeitava na poltrona (enorme!), vinha um comissário saber se eu precisava de alguma coisa. Assisti a um filme que há muito queria ver na TV privativa, tinha um banheiro sempre disponível, sapatos de lã, mantas e travesseiros, além da poltrona se flexibilizar em muitos pontos até ficar na posição desejada. A nécessaire que recebi parecia uma frasqueira, de tantos objetos dentro (até perfume!). Enfim, acho que todos nós merecíamos ter voltado assim e eu me sentiria muito mais feliz se pudesse vê-los por lá. Foi um presentinho de regresso que recebi, até por ter ficado a noite anterior inteira brigando em espanhol no aeroporto de Madrid-Barajas.
Pois é, meus queridos amigos, está fazendo um ano de tudo isso. Quando relembro, está tudo tão nítido na memória que parece que foi ontem.
Adorei a viagem, adorei a companhia de vocês, adorei tudo!
Sei que muitos já tornaram a viajar, conhecendo outros lugares, espero também fazê-lo algum dia, pois viajar é uma injeção de ânimo e vida na gente.
Não quero perdê-los de vista, os que usam a internet ficam mais acessíveis, mas vou enviar esta cartinha pelo Correio aos demais. Espero receber respostas, com notícias de vocês, afinal, o Brasil é grande , mas não o suficiente para que nunca voltemos a nos encontrar.
Um abraço apertado nos homens, beijos nas mulheres e muita saudade desta amiga que não os esquece.
Escrito por Maria Luiza às 13h33
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