MEU GAROTO!
Depois de amanhã vai fazer seis anos que mudei de status familiar - passei a ser vovó! Num dia frio e ensolarado engoli o almoço correndo e voei para a Maternidade porque ele estava chegando. Minutos eternos diante da porta fechada do Centro Cirúrgico. A vida em suspenso, reservando seu maior milagre para dali a poucos minutos. Lucas nasceu! Fascinada, orgulhosa, emocionada, misturei lágrimas e sorrisos por um bom tempo. Com a testa colada ao vidro do berçário (juro que ele era o mais lindo!) revisitei o nascimento do meu primogênito - seu pai. Naquele instante entendi um pouco esta tal de eternidade. Afinal, naquele pacotinho branco e azul estavam muitos dos meus gens também. É indescritível a sensação de sermos avós. Em última análise, vemos justificadas todas as limitações da passagem do tempo. Cantar para eles dormirem, aconchegar bem junto ao coração, beijar aquela cabecinha perfumada, ouvir eles nos chamarem de vovó. Não tem preço. Depois vieram as histórias, as comidinhas especiais, as viagens, as idas e vindas ao Colégio, o abraço sempre especial, o beijo mais demorado, o sorriso, a despedida gritada da rua : "Tchau vó querida!" Pois meu menininho já está completando seis anos e querendo escrever e ler. Continua amoroso, enfastiado, louco por Mac Donald's, por brinquedos e histórias e até já tem uma "namorada" na escola por quem é apaixonado. Não importa mais se minhas fotos estão envelhecendo (só as fotos...rs), preciso deixar o tempo correr para que Lucas consiga crescer, ficar moço, viver. Parabéns netinho amado! Que o Papai do Céu te proteja sempre e que teu anjinho da guarda não se distraia um segundo sequer. Um beijo desta vovó que te adora. 
Escrito por Maria Luiza às 19h06
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
SOLIDÃO ON-LINE
Taí uma coisa que eu pensei que não existisse. Afinal, o mundo virtual é vasto e os recursos de interação variados. Mesmo assim, ando me sentindo sozinha. Quase todo o tempo que me sobra venho correndo para cá postar alguma coisa. Os comentários, que já eram poucos, agora desapareceram de vez. Quanto a isso, nem fico muito incomodada, uma vez que sempre escrevi para jornal, onde as pessoas lêem, comentam entre elas ou não, mas a gente nunca fica sabendo. O orkut me deu presentes especiais, como o reencontro de velhas amizades, os laços mantidos com os ex-alunos, a família das pessoas que nos importam registradas em fotos e por aí vai. Dá trabalho preparar os álbuns, o que nos motiva é a possibilidade de apresentarmos os novos membros da família aos amigos distantes, ou nossa rotina longe deles. Só que, de vez em quando, parece que ninguém mais está interessado... Do MSN não gosto. Prefiro escrever a dialogar, conversar, ainda mais com as letras saindo todas erradas pela pressa. Perde-se horas teclando e , no fim das contas, não se disse nada. Quase como o telefone, que só serve mesmo para dar ou receber notícias e ouvir a voz de quem não podemos ter ao nosso lado. O e-mail é outro problema. Um veículo tão eficaz e rápido de comunicação, usado em noventa e oito por cento das vezes só para repassar coisas, a maioria delas bem desinteressantes. Por que as pessoas não mandam um bilhetinho, contam algo pessoal, pedem notícias? Pode ser que passe, entretanto, no momento, já começo a examinar minha estante de livros e separar os que ainda não li e os que desejo reler. Este mundo virtual, no atual formato, está deixando muito a desejar para mim.
Escrito por Maria Luiza às 11h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
ESCLARECIMENTO
Continuo professora de português, mesmo aposentada. Por isso mesmo, acho de um sem sentido imenso esta tal reforma ortográfica que meia dúzia de desocupados estão nos enfiando goela abaixo, apenas para mostrar algum serviço. Portugal dificilmente vai aceitar as mudanças e também não tem mesmo porque aceitar, afinal se tudo é diferente aqui e lá, porque cargas d'água a língua deverá ser uniformizada? Se ainda fôssemos passar a ganhar em euros, se pudéssemos importar a cultura e a educação dos irmãos europeus, até valeria a pena. Temos dois anos para nos adaptar às mudanças e neste período podemos escrever das duas maneiras. Eu pretendo continuar com minha ortografia que levei anos aprimorando até o último dia permitido. E com muita esperança de que, até lá, esta baboseira tenha sido desfeita e tudo fique como está. Portanto, caros leitores, escrevo do mesmo jeito propositalmente. Até comprei gramáticas e dicionários com a tal reforma, mas nem os abri.
Escrito por Maria Luiza às 19h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
LIVRO ABERTO
Você certamente já ouviu esta frase: "minha vida é um livro aberto!" Pois é, eu também. Só que tenho sérias desconfianças em relação às pessoas que fazem este tipo de declaração. No meu entendimento, das duas uma: ou a pessoa é tão vazia e superficial que seu livro aberto traz todas as páginas em branco ou suas gavetas têm fundo falso, como a maioria das gavetas. Não sei que vantagem há em escancarar sua vida, seus pensamentos, seus anseios para todo mundo. Também não vejo nenhuma virtude em quem o faz. Pelo contrário, acho de uma chatice sem limites alguém nos obrigar a conhecer picuinhas nas quais não temos o menor interesse. Porque os grandes segredos, os mistérios que valeriam a pena ouvir, estes raramente são contados e para poucos eleitos (nunca para esses do tal "livro aberto"). Penso que, se por um passe de mágica minhas incontáveis gavetinhas fossem expostas, eu criaria outras imediatamente, apenas para não pertencer ao roll dos "transparentes". Cada ser humano é um universo à parte, único, indivisível, indevassável. Nossa cabeça é o reduto dos nossos segredos e o maior dom que recebemos do Criador, já que ainda não criaram mecanismos fáceis de ler pensamentos. Não é preciso que se tenha um grande segredo (se tiver, ainda melhor), mas mesmo os pequenos segredos merecem ser guardados. Uma receita de bolo que só nós conhecemos, uma cantada infalível, hábitos que cultivamos em nossa intimidade, pecadinhos variados desde a gula até outros mais sérios. Enfim, é o nosso universo interior que não pertence aos nossos pais, nem aos maridos, nem às esposas, apenas a nós mesmos e aos amigos que elegemos para compartilhar dele. As pessoas que vivem repetindo que "não têm nada para esconder" poderiam rechear mais sua vida, suas idéias, seu espírito e até esconderem algumas coisas para serem reveladas no momento certo à pessoa certa, ou para morrerem com elas. Vidas assim "preto no branco", "pau ou pedra", "sim ou não" ficam muito próximas dos nossos animaizinhos domésticos; nosso cérebro tem capacidade para muito mais do que isso! Até porque entre o preto e o branco existe o cinza e mais uma porção de cores. E assim entre a verdade e a mentira, entre o certo e o errado, entre o sim e o não. Que seria do talvez?
Escrito por Maria Luiza às 19h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MR. JACKSON
Não tenho nenhum disco de Michael Jackson. Embora sejamos praticamente contemporâneos, a música pop nunca me seduziu. Sempre fui mais Roberto Carlos, os italianos, boleros de dançar de rosto colado, sambas, MPB, bossa nova e jovem guarda. Achava bonito ver Michael dançando. E sentia pena daquele astro milionário sempre envolvido em dramas pessoais, familiares, tão perdido em seus problemas de toda ordem. Não gostei nada das acusações de pedofilia que ele sofreu, pois tenho verdadeiro pavor de quem abusa de crianças. Se era culpado ou inocente não cabe a mim julgar, mas sou do tempo em que se dizia “onde há fumaça, há fogo.” Detestava aquele seu branqueamento, totalmente sem propósito, sem fundamento e sem resultado, assim como a vozinha infantil que ele usava nas entrevistas (como a Xuxa), embora tivesse uma voz linda ao cantar. Que crueldade dos cirurgiões plásticos que o deformaram à custa de milhões de dólares! Que valores (ou falta deles) sua família lhe passou para que ele achasse que um narizinho aquilino o faria mais feliz? Já “branco” Michael Jackson vibrava com suas raízes negras, mesmo sem se dar conta, prova disso está nas três vezes que veio ao Brasil e no quanto se realizou cantando e dançando no Pelourinho (em Salvador) e no Morro Santa Marta (no Rio de Janeiro), completamente integrado com a comunidade negra, em 1996. O descompasso da nossa vida também pode ter ocasionado o distanciamento. Quando ele se consagrou com Thriller (1982), por exemplo, eu tinha já os três filhos para cuidar e um de apenas dois anos. Ele era o rei dos palcos, enquanto eu assistia o Sítio do Pica-pau Amarelo com minha galerinha. Assim como Peter Pan (seu ídolo), Michael não queria crescer e eu sempre ansiei pela maioridade. Michael talvez possa ser comparado à Madona, nos escândalos e no talento (ambos dominando o corpo e a voz ao mesmo tempo), só que Madona é muito mais “cara de pau”, por isso deve ter sofrido menos. Não se pode medir gênios com a mesma régua usada para pessoas comuns, esta é a verdade. Agora, novo capítulo deste drama irá se desenrolar nos tribunais – com quem ficarão os filhos de Michael? Serão criados por sua mãe, que nem a ele soube amar? Com uma babá, certamente interesseira? Com as mães biológicas que só os conceberam pelos dólares pagos pelo cantor, abdicando de todos os direitos sobre eles? Herdando dívidas? Comparado à Pantera (Farrah Fawcett), Michael teve uma morte rápida, quase feliz, compatível com sua meninice eterna. Além disso, se Elvis não morreu, Michael Jackson certamente também não morrerá. Pelo menos para seus fãs. Ídolos... não vivemos sem eles, mas os esquecemos depressa demais.
Escrito por Maria Luiza às 11h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
A TAL FELICIDADE
O quê compra a felicidade? Dinheiro, talento, fama? Nada disso, senão Michael Jackson não teria sido tão infeliz. A não aceitação de si mesmo afasta para bem longe qualquer esperança de ser feliz. Nascer negro desejando ser branco é desperdiçar tempo e dinheiro em soluções inúteis. Muito mais eficaz teria sido descobrir o melhor de sua raça e se orgulhar dela. Todos os dias vemos moças baixas e roliças desenvolvendo doenças sérias como bulimia e anorexia porque querem ser modelos. Loiros querem ser morenos e vice-versa, embora pintar o cabelo seja bem mais simples. Homens gostariam de ter nascido mulheres e o contrário. Homossexuais desperdiçam grande parte da vida tentando gostar do sexo oposto para agradar a família ou a sociedade. Gente feia, burra e sem graça sempre sonhando em virar celebridade. Há quem passe a vida estudando coisas que não lhe dizem nada, nem melhoram sua concepção de vida. Outros dedicam grande parte do seu tempo na tentativa de aprender a tocar um instrumento, mesmo sem nenhuma aptidão ou ouvido musical. Como diz aquele pensamento antigo, devemos nos esforçar para melhorar e também nos resignar com aquilo que não pode ser mudado. Quem sabe o segredo desta tal felicidade deve-se à tentativa de ser feliz com o que se é e o que se tem? Sei que meus leitores não gostam de comentar nada, mesmo assim, deixo a pergunta para que pelo menos reflitam sobre ela. Bom final de semana!
Escrito por Maria Luiza às 20h20
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
TRISTES ESPÉCIMES
Não vou dizer que fiquei “estarrecida’ porque, infelizmente, tenho visto e sabido de tanta coisa horrorosa que perdi a capacidade de me estarrecer. Mas ainda me chocou o caso da mãe menina (de 11 anos!) lá do Rio Grande do Sul. Pobre, filha adotiva, abusada pelo pai adotivo desde pequenininha e grávida assim que seus ovários amadureceram o mínimo necessário para a concepção. Diz ela que ainda quer ser “cientista”, que não sente raiva de ninguém, apenas amor pelo filho. Perguntada sobre o que deseja para a criança responde: “Que tenha educação e respeito.” Bingo! Era o mote que eu precisava para a costura que desejo fazer. Existem mães que só deram a seus filhos a vida biológica, porque dificultam enormemente o desenvolvimento psico-social dos mesmos, tornando-os reféns de suas mentes doentias e da visão retorcida que têm da vida, dos fatos e das pessoas. Comprazem-se em manipular cabecinhas inocentes, às vezes ainda na primeira infância, usando de ardis e artimanhas inqualificáveis para obter da criança uma cumplicidade forjada à custa de toda sorte de prêmio. Não são mães. São monstros. Não hesitam em comprometer o equilíbrio emocional de anjinhos de quatro, cinco anos desde que possam atingir, através deles, seus desafetos. Obrigam a criança ao desamor, mentem, trapaceiam, oferecem brinquedos, substituem refeições saudáveis por porcarias industrializadas, entopem a casa de brinquedos desnecessários e apreciados por um ou dois dias apenas, tudo isso para barganhar afeto, fomentar ciúmes, criar desavenças. Vocês conseguem imaginar uma mãe que oferece presentes ao filho pequeno desde que ele deixe de gostar desta ou daquela pessoa? E a Infância, onde fica? E os valores reais? E a sinceridade nata dos pequenos? Aos cinco anos, já encontramos crianças capazes de mentir, de fingir, de fazer jogo duplo, completamente perdidas entre o certo e o errado, por culpa dessas mães. É claro que este tipo de comportamento parte de pessoas ociosas, sem rumo, sem objetivo na vida, com tempo integral para arquitetar maldades. Poderiam estas criaturas cozinhar para seus pequenos, ler histórias para eles, sentar no chão para brincar, ensinar a rezar, organizar suas coisas, ao invés de desperdiçar o tempo entortando, às vezes para sempre, a cabeça e os valores de um inocente. Como não são pobres, o Conselho Tutelar não se ocupa desses anjinhos que sofrerão na vida mais até do que os favelados, refugiando-se nos vícios, nos medos para fugir da confusão sentimental e ética criada por essas falsas mães. Uma menina pobre, estuprada, mãe aos onze anos quer incutir “educação e respeito” em seu filhinho. Oxalá todas as mães quisessem a mesma coisa! Que lição!
Escrito por Maria Luiza às 20h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
SÓ UM ALÔ!
Gente, depois de uma overdose de emoções, de hóspedes, de comidas, enfim, de quase tudo, ainda não consegui localizar bem o tico e o teco. Parece que me transformei na mulher que virou suco (tem um filme assim né?), com os neurônios brigando entre si, ou, o que é pior, dormindo profundamente. Desde pequena vivo perdida em infindáveis questionamentos de toda ordem: existenciais, filosóficos, sentimentais e por aí afora. Agora, neste momento, parece que não há nada para ser questionado, apenas vislumbro o sofá e a cama para descansar o corpo moído. Amanhã certamente já reunirei as partes todas e voltarei a ser quem sou. Pelo menos nos momentos em que a Bruna dorme. Obrigada a todos que continuaram me lendo, mesmo sem novos textos. Prometo recompensá-los com capricho. Hoje era só mesmo para dar um alô!
Escrito por Maria Luiza às 20h06
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
PARABÉNS MÃEZINHA!
Hoje (dia 17 de junho) minha mãe está completando 90 anos! Já imaginaram o que é viver 90 anos? O que ela viu, as concessões que precisou fazer, os reajustes da moeda, a moda indo e voltando, os novos valores, a tecnologia, a correria, a violência, as perdas, o futuro e o passado tão presentes, mudanças radicais. Minha mãe se chama Conceição e é parente distante de Getúlio Vargas. Já operou catarata nos dois olhos e lê compulsivamente. Todo o Correio do Povo diariamente, sempre um romance (de Danielle Steel a Jorge Amado e Nelson Rodrigues), além de poemas (no momento os do Dr. Barboza) e revistas que antecipam as novelas, pois diz não gostar de sofrer, preferindo assistir as cenas sabendo do desenlace (depois fica contando). Acho minha mãe bonita (julguem vocês mesmos), além de extremamente simpática, sempre oferecendo seu melhor sorriso a todos que por ela passam. Generosa, abre mão de tudo pela família e pelos amigos. Religiosa, passa horas com seus santos, seu terço, sua Bíblia. Nunca reclama de nada, nem diz que no seu tempo era melhor. Compreende todos os modernismos e aceita com tranqüilidade os conceitos das novas gerações. Politiqueira (como boa Vargas), conhece os políticos e tem opinião formada sobre o desempenho deles. E não deixa de votar. Não perde jogo do Internacional e da Seleção Brasileira, assinou o canal que passa todos os jogos para assistir com os netos e bacias de pipoca. Incapaz de uma grosseria, um desacato, uma maledicência. Quando não tem saída, prefere ironizar sutilmente. Encantada com os filhos, os netos e os bisnetos, brinca de carrinho e pescaria com o Lucas (5 anos) e de bonecas o dia todo com a Bruninha (1 anos). Dá gosto de ver! Enfim, com esta lucidez, esta simpatia e esta saúde vale muito a pena viver 90 anos! Parabéns mãe querida! Tenho o maior orgulho de ser tua filha!

Escrito por Maria Luiza às 14h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
PORTAS FECHADAS
Sinceramente, eu não gostaria de saber o que se passa na Coréia do Norte, ou no Irã. Já que não posso fazer nada para ajudar, de que me vale saber das loucuras que os ditadores desses países arquitetam para a humanidade e para seus próprios compatriotas? Leio que os campos de concentração nazistas ressuscitaram nos gulags norte-coreanos. Com toda a barbárie conhecida. E o resto do mundo faz o quê? Mais uma vez, a esperança dos oprimidos do Oriente está no Ocidente. Mais especificamente nos Estados Unidos da América, agora nas mãos de Barak Obama. O mundo todo critica as intervenções norte-americanas, às vezes com protestos acirrados e sangrentos. No entanto, quem mais terá cacife para tentar deter as bombas atômicas do Irã ou os testes e as atrocidades da Coréia do Norte? Estou lendo A Virgem na Jaula - um apelo à razão (Companhia da Letras, 1969), de Ayaan Hirsi Ali, nascida na Somália e hoje refugiada na Holanda. Elucidando meu raciocínio diante das notícias do jornal, farei uso das próprias palavras da autora: Alguns críticos ocidentais reprovam as políticas e atitudes dos Estados Unidos, mas não criticam o mundo islâmico, bem à maneira dos apologistas do socialismo no Ocidente que, na primeira metade do século XX, não ousavam criticar os campos de trabalho soviéticos. Na mesma linha, alguns intelectuais ocidentais criticam Israel, pois é lícito criticar um país que pertence ao Ocidente, mas sentem pena dos palestinos e do mundo islâmico em geral, que não são tão poderosos. Criticam a maioria branca nativa nos países ocidentais, mas não as minorias islâmicas. Críticas ao mundo islâmico, aos palestinos e às minorias muçulmanas são vistas como islamofobia e xenofobia. Nunca é demais ressaltar o quanto isso é equivocado. Ignorar diferenças e abster-se de criticar é racismo em sua forma mais pura.Não obstante, esses culturalistas não percebem que, na ânsia de evitar críticas aos países não ocidentais, estão aprisionando as pessoas que representam essas culturas num estado de atraso. Suas intenções podem ser as melhores possíveis, mas, como todos sabemos, de boas intenções o inferno está cheio." Se pudesse, eu fecharia todas as portas do Brasil tentando resolver apenas os nossos problemas, que não são poucos. De que serve, afinal, esta tal globalização?!
Escrito por Maria Luiza às 14h36
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
DIA DOS NAMORADOS
Namorar é a melhor coisa do mundo, disso ninguém duvida! Cada geração tem a sua forma de externar sentimentos e desejos, por isso, hoje já não saberia como qualificar os namoros e namorados. Aposto que continua bom demais. Ao invés de discorrer sobre os encontros, relacionamentos e namoros em geral, vou homenagear todos os namorados, principalmente aqueles verdadeiramente enamorados com um soneto da grande poeta portuguesa - Florbela Espanca. O meu amor Trago dentro de mim, amortalhado, Um amor de tragédia, extraordinário, Amor que é uma cruz sobre um Calvário Onde o meu peito jaz crucificado!
Amor que é um rosal, já desfolhado, De pétalas dum branco funerário, Amor que tem os gelos dum sudário, E as chamas dum inferno não sonhado!
Amor que compreende mil amores, Amor que tem em si todas as dores, Amor que nem eu sei o que ele encerra...
Amor de sacrifício e de saudade, Amor que é um poema de bondade, Amor que é o maior amor da terra! Parabéns!
Escrito por Maria Luiza às 13h44
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
EXCESSO DE MÍDIA
Dizem que até água demais pode matar. Notícias então... Sei de jovens que já estão desistindo de se manter informados para não caírem em depressão. Já era difícil conviver com as tragédias, problemas, violência, doenças do nosso bairro, da nossa cidade, agora sofremos por tudo e por todos do mundo inteiro! Claro que dá pra gente mudar de tribo e se alienar completamente. Viver só na Paz e Amor, lendo o que gosta, ouvindo o que gosta, filtrando tudo que existe ao nosso redor , só deixando passar o que é bom para a nossa cabeça. O risco é vivermos segregados e não termos mais nem o que conversar. Já que a televisão virou pai, mãe, babá, namorado, vizinho, enfim, a companhia onipresente em quase todos os lares, o controle remoto e uma tv por assinatura nos garantem o direito de fugir daquilo que não nos faz bem. Só que afasta as pessoas, pois cada um vai para o seu quarto ver o seu programa favorito, então... nem sei se há vantagem nisso. Tem orquestras e corais de crianças de rua fazendo o maior sucesso, mas com pouquíssimo alcance na mídia. Existe gente boa de verdade, ajudando pessoas, construindo um mundo melhor, sem divulgação alguma. Os blogs de poemas, de crônicas leves, de crescimento cultural não são muito visitados, já os de sexo, violência, intrigas, fofocas, esses batem recordes de leitores (aliás, há muita figura e pouca coisa para ler). Será que teremos de nos dividir em grupos, totalmente sem interação, para podermos fugir da mesmice e do excesso de notícias catastróficas? Por que o estado em que forem encontrados os corpos de um triste acidente faz o comerciante vender mais cerveja, mas xampu, mais celulares? Por que o ibope acusa picos de audiência diante de cenas macabras, que jamais deveriam ser sequer divulgadas nos meio de comunicação, interessando apenas às famílias das vítimas? Será a natureza humana tão mórbida, ou foi moldada por uma mídia sensacionalista e interesseira? Lembro ainda de um programa de música clássica para o povão, que viajava cidades e aqui, em frente ao terminal Rita Maria (há muito tempo) encantou até bêbados e mendigos. Eles ouviam fascinados, esquecendo suas mazelas, flutuando num outro mundo. É claro que o programa nem existe mais, porque devia dar pouco lucro, poucos investidores, poucos patrocinadores, não vendia. Agora, enquanto faltar um só corpo para ser encontrado no mar, mesmo que os curiosos não saibam nem pronunciar o nome da pessoa, a mídia pode continuar seu carnaval, os anunciantes podem apostar pesado, pois certamente os olhos e os ouvidos estarão como nunca presos aos noticiários. Se pelo menos lembrassem de rezar pelos parentes que sofrem... "Ora, direis, ouvir estrelas!" Pois sim, mil vezes melhor ouvi-las e à lua cheia escandalosa, esplendorosa que se dependurou sobre a ponte a semana toda, do que tomar esta overdose de baixo astral!
Escrito por Maria Luiza às 15h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
MOMENTOS
Num domingo lindo, ensolarado, embora frio,com a bochecha inchada de uma cirurgia no dente,fazendo dieta forçada (único ponto positivo) e desafiando minha capacidade de adaptação (colocar gelo num frio destes e comer comida gelada não é fácil), como sempre me evado e revisito outros momentos "bem mais auspiciosos". Num domingo ensolarado em Curitiba, muito mais frio do que aqui e com a face normalzinha, tomando um chopp no Largo da Ordem, em frente à feirinha, li num painel daquelas tantas casas teatrais o seguinte poema. Copiei, inlcusive o nome do autor (de quem não tenho a menor referência) e agora divido com vocês. É lindo! por teres ido tão longe embora sem ter fugido pareces não teres ido
e hoje é como se ontem
como estás fora da vista a minha imagem de ti que já está fora de si
segue a tua pista.
Marcos Prado
Um ótimo domingo pra você!
Escrito por Maria Luiza às 11h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
O PREÇO
A leitura é um prazer solitário. Egoísta e divino. Através dela podemos nos ausentar, mesmo que não nos seja permitido dar um passo. Podemos fazer ouvidos moucos a conversas desinteressantes, suportar viagens longas ou salas de espera tensas e/ou atrasadas. Lendo viajamos, sofremos, deliramos, conhecemos... com o corpo relegado ao plano secundário que lhe cabe por direito e deixando o espírito flanar. Sinto pena de quem ainda não descobriu os prazeres inenarráveis de um bom livro. A escritura também não é compartilhada e, quase sempre, traz um ônus pesado ao escritor. Quantos mestres das letras se dissolveram nos vícios e orgias literárias perseguindo suas musas! Os românticos não concebiam poemas que não fossem encharcados no absinto. E morriam cedo demais, deixando obras eternas, incapazes muitas vezes de serem igualadas por escritores longevos. Seria genialidade? Atmosfera propícia à manifestação do gênio, ou Liberdade? Parece que suas cabeças talentosas faziam um pacto cruel com o destino, permitindo-se implodir, romper com todas as amarras da mediocridade, trocando vida e saúde por uma obra prima. Hoje, a maioria dos escritores tem horário de funcionário público para escrever, frequenta academia, bebe energéticos ao lado do computador. Será que Graciliano Ramos escreveria da mesma forma sem a pura cachaça nordestina e seus incontáveis cigarros? Poderia sua alma de homem reservado romper os grilhões e criar “Angústia” sem o auxílio de seus vícios? E Nelson Rodrigues, de vida e obra tão trágicas (mesmo nas crônicas de costumes há muita tragédia embutida), conseguiria suportar suas mazelas e transformá-las em romances, peças teatrais, crônicas sem o auxílio da muleta que o cigarro representava? João Ubaldo, de dedos manchados e cinzeiros cheios ao lado da máquina de escrever, hoje é outro homem, outro escritor, livre do tabagismo. Melhor como gente, só não sabemos ainda como contador de histórias. O fato é que vidas certinhas não dão uma boa história e a rotina sufocante dos dias iguais, ruídos iguais, pessoas iguais não permite o alçar de grandes vôos. O simples fato de se pensar “para quem” escrevemos, ou “quem” irá nos ler já mutila a criatividade, numa pré-censura empobrecedora. O escritor precisa ser livre, ter o direito de dizer as coisas como pensa ou inventou sem interferências externas. Quem gostar gostou e quem não gostar que procure outra coisa para ler. Somos todos muito diferentes. Nem filhos da mesma “ninhada” saem iguais. É claro que alguns leitores serão nossos fãs, outros nos detestarão e, o pior de tudo, para muitos seremos indiferentes. Nada como uma boa leitura, com certeza! Mesmo que o preço para atingir aquele resultado tenha sido bem alto para o autor. Tudo na vida tem um preço, na literatura não é diferente. Muitos gênios das letras sucumbiram dentro da própria genialidade e nos legaram verdadeiros tesouros. Eternizaram-se neles. Quem diz que ao ler ou escrever nos isolamos? Aí sim é que nos sentimos povoados, transportados, postos à prova. Dói muitas vezes, mas é altamente compensador!
Escrito por Maria Luiza às 19h05
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
CATARSE
Este termo foi muito utilizado no teatro, principalmente nas peças oriundas das tragédias gregas, onde a platéia purgava junto com os personagens e, assim, saía aliviada das representações. No caso a que vou me referir a catarse está mais relacionada ao sadismo da humanidade, aquele sentimento quase inerente ao ser humano que faz com que ele se envolva ao máximo nas tragédias alheias. Este caso triste da queda do avião da Air France, por exemplo, como vendeu jornais e revistas, como disparou o Ibope dos canais de TV! Comentário obrigatório em todas as rodas, cada um querendo saber mais e ter descoberto uma revelação maior que a do outro. A ansiedade para que os destroços do avião fossem encontrados denunciava o temor de que afinal o avião e os passageiros tivessem se safado, abortando a tragédia. Uns mais, outros menos, a maioria saindo com o sentimento inconfesso de "antes eles do que eu!". Este tipo de reação, esta catarse coletiva diante das grandes tragédias sempre me intrigou. Conheço gente que sofreu e sofre muito mais pelos "heróis" do que por seus próprios parentes. E transforma em heróis pessoas até então desconhecidas com a maior facilidade. Muito triste este acidente, sem dúvida. Principalmente para os familiares e amigos das vítimas. E tinha só um argentino...
Escrito por Maria Luiza às 13h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|



|
Meu perfil
BRASIL, Sul, FLORIANOPOLIS, ESTREITO, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese, Spanish, Livros, Arte e cultura, música MSN -
|
|