NOVO BLOG

Estou te esperando lá no meu novo blog!

Apareça!

 

http://cinquentinhas.blogspot.com/



Escrito por Maria Luiza às 00h52
[] [envie esta mensagem] []



SAUDADE

http://cinquentinhas.blogspot.com/



Escrito por Maria Luiza às 18h59
[] [envie esta mensagem] []



PÁRIAS DA SOCIEDADE

http://cinquentinhas.blogspot.com/



Escrito por Maria Luiza às 23h24
[] [envie esta mensagem] []



MUDO OU NÃO MUDO?

Não sou indecisa. Pelo menos não muito. Só me acontece isso quando preciso tomar decisões irreversíveis.

Graças à Jeanne (colega de ginásio), hoje sou blogueira. Foi ela quem criou para mim cada blog onde escrevi e agora, depois de tanto meus leitores reclamarem da dificuldade para postar comentários, está me convencendo a voltar ao endereço antigo, agora com mais recursos.

Ainda estamos iniciando a mudança, faltam algumas coisas para acertar, mas já vou deixar o endereço com vocês, para irem se familiarizando. Aliás, criei um link aqui mesmo (do lado direito), por onde chegarão mais depressa.

Continuo gripada (e muito!), acho que não é a gripe do porco, mas chateia demais. Desse jeito não dá pra realizar mudanças radicais.

Por enquanto, vou ficando por aqui.

Você acha que devo mudar?



Escrito por Maria Luiza às 18h20
[] [envie esta mensagem] []



ESTOU GRIPADA!

Cheguei de um paraíso de águas quentes, com clima seco, céu de brigadeiro e média de 30º, um sol onipresente que me garantiu um bronzeado no inverno e aqui encontrei os dois netos gripados. Imediatamente assumi minha função primordial de "mãe-vó", sem chances de readaptar meu organismo ao frio, vento e chuva.

Somando a isso o fato de já ter "trinta e muitos" não deu outra - fiquei muito gripada também.

Espero que seja uma gripe comum e não essa de vários nomes que anda matando gente por aí.

Na dúvida, vou revisar meu testamento, repartindo as dívidas entre o marido e os filhos.

Meu perfume foi trocado para álcool gel, principalmente para tentar preservar as crianças e a mãe idosa.

Curioso é a novidade da dúvida : - será que devo consultar um médico? Mas já tive tantas gripes e resfriados iguais a este e curei todos com os mesmos comprimidos!

Será que vale a pena arriscar? Sei lá...



Escrito por Maria Luiza às 11h41
[] [envie esta mensagem] []



BIODIVERSIDADE

Ou, novas formas de lazer da humanidade.

Numa estância hidromineral o corpo fica lavado para o ano todo. Fica-se "murcho" de tanto estar de molho em praias, cascatas, piscinas e duchas.

Depois de um ano como "vovó-babá", dei-me uma semana de férias e me refugiei naquele paraíso de águas quentes lá em Goiás.

Minha família sempre veraneou em estâncias hidrominerais (Iraí-RS), portanto, tenho certa familiaridade com o lazer destes lugares que, por sinal, me agradam bastante.

Depois de vários anos frequentando praias, estranhei alguns hábitos dos hóspedes deste lindo resort na Pousada do Rio Quente.

Pessoas andando de roupão para lá e para cá, jantando de roupão a até indo à missa com eles.

 Os mais velhos sempre no carteado.

A invasão dos laptops, particulares e locados no hotel. Uns trabalhando, outros no MSN, no orkut, naquela conhecida solidão virtual. Eu fiz questão de deixar o meu em casa, pois precisava ver e fazer coisas diferentes para sentir que estava realmente em férias.

No centro do Brasil havia uma profusão de gente, de tribos diversas, com sotaques diferentes e costumes tão distintos quanto aqueles que encontramos em viagens ao exterior.

Às 17h encerram as atrações do Hot Park e os roupões, que estavam "de molho" desde as 9h desfilam em bando rumo às outras piscinas, abertas dia e noite e sempre com água a mais de 38º.

É certo que o clima no Cerrado é muito seco e abafado, como também é certo que a água de qualquer torneira, poço, piscina, cachoeira ou rio de lá é quente mesmo; agora, passar uma semana literalmente dentro d'água me parece diversão para sapos.

Lá, com pessoas em trajes de banho e tempo para observar, constatei que a obesidade do brasileiro já é fato comprovado. Homens barrigudos (mais de noventa por cento), com barrigas e-nor-mes! Mulheres gordas da cabeça aos pés (e muito!). Crianças exigentes, sem limites, cansadas, numa atividade bem além do recomendado, de molho nas piscinas até tarde da noite. Até recém-nascidos havia por lá! Bebês então...

Num resort com cinco hotéis lotados nem é preciso ser um bom observador para fazer estas constatações.

Notícia boa é que diminuiu drasticamente o número de fumantes. Creio que 5% (se tanto) daquela multidão de cabelos molhados.

Muitas avós-babás (como eu) e vovôs babões, com seus filhos e netos. Curioso é que a maioria dos avós era do lado paterno. Será a nossa redenção?! Os pais cuidando das crianças tanto ou mais que as mães, como se comprova na maioria dos lugares. Famílias inteiras desfrutando do lugar e formando grandes mesas no restaurante do hotel.

Poucos funcionários para atender a multidão, numa economia evidente de mão de obra e filas demoradas para tudo. Preços salgados dentro do resort e bem acessíveis na cidade vizinha (Caldas Novas).

Encerrando as reminiscências, destaco a arte pura das camareiras no arranjo das toalhas. Vou colocar a imagem de um dos "origamis", feito, inclusive, por um rapaz.

Voltei amigos!



Escrito por Maria Luiza às 09h18
[] [envie esta mensagem] []



A PENEIRA DO TEMPO

Não sabemos de quanto tempo dispomos no mundo. Melhor assim. Caso contrário, seria nossa passagem por aqui tão programada que pouco sobraria para o inusitado, a aventura, as tentativas, aquilo tudo que dá sabor à vida.

Dizem alguns que, na hora da morte, costuma passar um tipo de filme da vida da gente. O quê esperamos ver nesses instantes derradeiros? Os erros, os acertos, os riscos, o bom, o ruim?

Já falei aqui que não sei meditar, acho dificílimo esvaziar a mente e só ver cores nela. Agora, pensar eu sei e o faço até com certa desmedida.

Num desses momentos em que meus olhos voam (agora por dentre a rede de proteção da sacada), tentei contabilizar meus feitos nesta vida e fiquei cansada.

Quantas fraldas troquei, quantas mamadeiras preparei, quantos banhos dei, quantas unhas cortei, quantos beijos e abraços dei, quantas provas corrigi, quanta louça lavei, quanta comida  e merendas para a escola preparei, quantas músicas toquei no piano, quantas cantei, quantas dancei, quantas ouvi, quantas cartas escrevi, quantos filmes assisti, em quantas brigas me envolvi, quantas orações fiz, quantas fotografias, quantos sorrisos, quantas lágrimas, quantos "não" fui capaz de dizer, quanta saudade, quanta ingratidão, quantas calúnias sofri, quantos pré-julgamentos fiz, enfim, todas essas coisas que compõem a VIDA.

A vida é tudo isso. E é muito pouco.

Na fina peneira do tempo só os grandes permanecem. O que terei feito de "grande", que não se escoe pelos furinhos da peneira dos dias, meses e anos?

Até aqui, mesmo tendo sido pró-ativa a vida toda, só encontro quatro talentos retidos na malha fina - meus três filhos e meu livro, sendo que dois filhos já trazem seus rebentos ao colo. E é só.

Percebo que o mundo passa muito bem sem mim e que não sou absolutamente importante para nenhum projeto da humanidade. Minha biografia é desinteressante de tão normal e mesmo os pequenos vôos, que julguei tão ousados, não são nada diante da experiência da maioria dos escrevinhadores.

Espero ainda ter tempo de escrever mais livros e, quem sabe, contribuir efetivamente para a roda do mundo, destacando muitos outros talentos na minha peneira.

Oxalá!



Escrito por Maria Luiza às 20h32
[] [envie esta mensagem] []



DESARMAMENTO - enésima parte.

Assistindo ao "Profissão Repórter" da Globo vejo, estarrecida, o disparate de que existem quarenta gangues mapeadas só em Brasília. E quantas ainda sem registro? E em cidades como São Paulo, Rio, Salvador, Porto Alegre, Recife?

Que estranha necessidade é esta de jovens delinquentes se reunirem em bandos para cometer toda sorte de atrocidades?

Disseram no programa que quarenta por cento das mortes causadas pelas gangues são por motivos fúteis. Quer dizer, a metade delas atesta a crescente desvalorização da vida por parte dessas criaturas.

Objetivamente, as mortes acontecem porque estes adolescentes portam armas.

Sempre fui contra o porte de armas para civis. Fiz campanha e votei contra , apesar de gaúcha e do fascínio que os gaúchos têm por andarem armados.

Penso que  só as Polícias e as Forças Armadas deveriam portar armas e as demais teriam de ser destruídas, implodindo inclusive as fábricas de armamentos que não fossem para exclusivo uso militar. Duvido que os assassinatos não fossem diminuir!

Claro que logo virá alguém alegando que esses comerciantes são honestos e precisam sobreviver. A mesma lengalenga dos fabricantes de cigarro e de cachaça. Acontece que quem se dana é o povo!

Além desta medida extrema, a outra saída seria tentar reestruturar as famílias. Numa família onde se respeite os pais (e eles saibam se dar ao respeito) duvido que esses jovens se reunissem para fazer baderna, destruir o patrimônio, roubar e matar.

Exemplos sociais seriam benvindos, com seriedade, honestidade e responsabilidade no trato com o público, seus direitos e seu dinheiro.

 Quero crer que este descaso  com a vida seja reflexo de uma sociedade corrompida, de famílias desmanteladas, de escolas que não cumprem seu papel social, da falta de perspectivas, da inversão de valores, da ausência de religião e até dos programas lamentáveis que a juventude assiste na TV.

Enquanto estes jovens perdidos, esquecidos, sem eira nem beira e sem comando arregimentam-se em pelotões do crime, nós, minoria, tentamos incutir esprança e solidariedade em nossos filhos e os largamos pelas ruas desse mundo cão, à mercê da bandidagem, tentando batalhar por seus ideais.

Se, pelo menos, eles não portassem armas...

Deus nos livre!



Escrito por Maria Luiza às 18h44
[] [envie esta mensagem] []



FLORBELA

Estou cansada. Tive um final de semana agitado, com festas, hóspedes, conversas regadas a vinho e noites curtas,portanto, na segunda-feira é dia de reordenar a casa e a vida, então... Não posso deixar meus leitores sem uma "tinta fresca", por isso, vou me socorrer de um soneto da minha poeta portuguesa preferida, que diz muito de mim, do que penso e sou.

 

VERSOS DE ORGULHO

Florbela Espanca

O mundo quer-me mal porque ninguém

Tem asas como eu tenho! Porque Deus

Me fez nascer Princesa entre plebeus

Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além...

Porque trago no olhar os vastos céus

E os oiros e clarões são todos meus!

Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!

O mundo! O que é o mundo, ó meu Amor?

- O jardim dos meus versos todo em flor...

A seara dos teus beijos, pão bendito...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...

- São os teus braços dentro dos meus braços,

Via Láctea fechando o Infinito.

Gostaram?

A gente precisa alimentar o espírito né? E é disso que ele gosta!



Escrito por Maria Luiza às 19h13
[] [envie esta mensagem] []



PRESA!

Sempre tive pavor de cadeias! Dizia até que preferia ver um filho no hospital do que numa penitenciária.

Sofro de uma espécie de claustrofobia que me obriga a deitar meus olhos no horizonte e que este horizonte seja de preferência a se perder de vista.

Vivo muito no meu mundinho particular e, mesmo realizando serviços domésticos, minha mente anda pela Europa, por filmes, por livros, por poemas, por músicas.

Nos últimos tempos, minha netinha tem servido de âncora para meus pensamentos, já que é ligeira e danada, daquelas que num piscar de olhos cai, se machuca, estraga alguma coisa.

Cuidar dela me faz muito bem, pois me disciplina e evita meus excessos. Aposentada, não fosse meu compromisso com a Bruna, certamente ficaria boa parte da noite por aqui, ou na TV, ou lendo e dormiria as manhãs quase inteiras, desperdiçando o solzinho benéfico das manhãs, que aproveito com ela pelas praças da vida.

Agora, diante das proezas da piculina, fui obrigada a colocar uma rede de proteção na sacada do meu apartamento, já que nas outras peças as janelas têm grades. Pois era exatamente a sacada que me proporcionava aquela fuga para o horizonte, onde o sol deita sobre o mar e a lua faz a água rebrilhar. De repente, vejo tudo quadriculado, me sinto presa. A sensação é péssima. Tomara que, como a quase tudo na vida, acabe me acostumando.

Vou sair, sentar num banco da praça e respirar. Ufa! Mesmo com este frio, ainda é melhor do que ficar sufocada , em prisão domiciliar.



Escrito por Maria Luiza às 11h48
[] [envie esta mensagem] []



O OUTRO LADO DA LUA

Confirmando minha tese de dualidade, até a Lua, sabe-se agora, tem um lado obscuro jamais viso pela Terra, em razão dos movimentos (rotação e translação, se não me engano) de ambas.

 Pois, pela bagatela de trinta e cinco milhões (deve ser de dólares), você já pode reservar sua passagem para a Lua. Interessa? Será lá pelo ano de 2050, mas você deve ser, além de rico, um otimista incorrigível e certamente o fará.

E se fosse de graça, você iria?

Sabe-se que o solo é inóspito e a temperatura incompatível com nosso corpo, mesmo assim, tem gente louca para ir!

Outros (como Nelson Rodrigues) consideram uma verdadeira deserção sair do mesmo bairro.

O ser humano é mesmo muito diferente...

A mim interessa mais a motivação dos candidatos a viajantes que a viagem em si.

O que faz uma pessoa querer largar tudo, entrar num ônibus espacial e seja o que Deus quiser?

Era bem pequena quando o Sputnik foi à Lua. Falaram muito dele na minha infância. Depois Gagarin, os foguetes americanos explodindo e enfim a Apollo 11. Já adolescente, assisti a chegada dos heróis americanos em Porto Alegre, num piquenique com a família da minha irmã mais velha. Perdoem-me, mas nunca me emocionei muito. Antes lamentava a perda da poesia da lua dos namorados. Ainda mais com as imagens inóspitas do relevo da lua!

Acho linda a atração que a Terra e o Mar têm pela Lua! O namoro da Lua com o Mar, causando o efeito maré, este sim me emociona.

Saber que a Lua está indo embora, afastando-se da terra três centímetros por ano,  me entristece.

E saber que o Sol deve morrer antes disso, já que é uma estrela de meia idade, devendo durar “apenas” cinco milhões de anos a mais, é bem mais alarmante. Mesmo em nossos dias, como uma vela, o sol de vez em quando dá uma “bruxuleada” e as temperaturas da Terra caem.

Pois é, as pessoas se ocupam de uma infinidade de coisas sem importância e pouco se preocupam com sua morada cósmica. Mais de trezentos planetas já foram descobertos e todos são hostis, nenhum é vivo e lindo como o nosso, mesmo assim, fazemos o maior esforço para acabar com ele!

Tudo que diz respeito à astronomia é muito caro e mais uma vez só os ricos poderão usufruir destas descobertas.

Curioso é que a maioria das pessoas que querem ir à Lua diz que querem ir para ver a Terra de lá. Estranho...

Será que Lucas e Bruna ainda passarão férias na Lua? Nem duvido.

Por mim, prefiro voltar a Paris!

 

Obs.: Não gosto de “dias”, mas adoro meus AMIGOS e abraço a todos pelo recém criado “Dia do Amigo”.

                                                                               



Escrito por Maria Luiza às 23h46
[] [envie esta mensagem] []



POR QUÊ ?

 Por que algumas pessoas deixam marcas tão profundas por onde passam e outras evaporam-se no ar, tao logo dobram a esquina? Pessoas retas, exigentes, sérias como meu pai são muito mais lembradas que outras "tão boazinhas".

Afinal o que é ser bonzinho? Ser permissivo, tolerante, desligado? Ou fazer o bem? Parece que as pessoas a quem mais se referem como "boazinhas" são exatamente aquelas que não ousam manifestar sua opinião e concordam com tudo e com todos para não se indispor com ninguém. Mas isso é bondade?

Por que o Brasil importa lixo quando não dá conta de reciclar nem seu lixo doméstico? Importar fraldas usadas me parece o fundo do poço e do menosprezo para com a fiscalização portuária. Soa como deboche até.

Por que tudo é tão nebuloso em se tratando desta nova gripe? Será que diminuir sua importância e riscos fará com que ela passe sem que os brasileiros mal a percebam?

Por que um homem como José de Alencar sofre tanto enquanto outros crápulas não sentem nem dor de dente?

Por que às vezes a gente fica melancólica, sem um motivo especial?

Por que os sentimentos ficam tão suavizados depois de certa idade?

Você já imaginou um sábado ensolarado, com uma turma de amigos verdadeiros, ao ar livre, andando a cavalo, comendo churrasco, tomando um bom vinho, relembrando coisas e causos, achando graça de tudo, comendo fruta do pé, caminhando pelo campo em papos interminávies, confidências, inconfidências, reminiscências? Para mim, seria um sábado perfeito!

Por que estou dizendo tudo isso com a exata impressão de que não disse nada?

Por que não vou ler mais um pouco do meu livro?

Por que minha cabeça não pára?

Por quê?



Escrito por Maria Luiza às 15h33
[] [envie esta mensagem] []



MENÇÃO HONROSA

Hoje estou muito contente!

Participei de um concurso de crônicas de uma editora carioca , pré-classificando as três crônicas que enviei (de 1200 concorrentes ficaram 300) e agora leio que uma delas - "Adoráveis Cinquentinhas" recebeu menção honrosa, ficando entre as 10 melhores. Podem conferir no site  http://www.guemanisse.com.br/

Para quem adora escrever como eu, prêmios literários têm um valor inestimável!

Esta crônica faz parte do meu livro de crônicas - GAZETEANDO , para quem não tem o livro, vou reproduzi-la aqui.

ADORÁVEIS “CINQUENTINHAS” 

Toda menina sonha em se tornar moça, mas nenhuma delas tem pressa de envelhecer. Demora tanto para se chegar aos vinte anos que fica difícil acreditar que o tempo passará mais depressa depois, ou que assim possa parecer. Para as meninas da minha época, então, chegar aos quinze anos tinha uma urgência especial, pois só assim poderíamos usar sapatos de salto, passar batom, namorar, dançar. Hoje mudou bastante, parece que, de tardia, a adolescência se tornou precoce.  Depois dos vinte, éramos alertadas de que levaríamos um choque quase fatal ao apagar as trinta velinhas do bolo. Se sobrevivêssemos, aos quarenta entraríamos numa fase interminável dos “enta” que só terminaria na morte, ou num hipotético aniversário de cem anos. Como se pode ver, as faixas etárias foram sempre bem marcadas e nem sempre com as benesses dos quinze anos. Os cinqüenta, então, nem eram muito comentados, talvez para não assustar demais.

Para homens e mulheres, completar 50 anos deve ser diferente, como, de resto, quase tudo o é, malgrado a opinião das feministas. Para as mulheres, funciona mais ou menos assim.

No dia do meu aniversário, quando, no dizer da minha bondosa mãe, estou completando “meio século” de vida, convido-os a fazer um passeio comigo pela minha geração.

 Quem já passou dessa idade deve lembrar-se de muitas coisas, já que as mudanças, naquele tempo, não eram assim tão avassaladoras. Os que pertencem à minha geração certamente irão se encontrar muito no texto e os mais jovens poderão lê-lo como historiografia ou curiosidade, o importante é que leiam.

Com cinqüenta anos a gente tem menos pressa, mais paciência, explode menos, chora menos de raiva e mais de saudade. O espelho passa de amigo a delator, apontando defeitinhos novos a cada dia, debochando do nosso arsenal de cremes e opinando sobre a conveniência dos nossos adereços, roupas e penteados.

É hora de reler os livros e rever os filmes assistidos numa época de maior turbulência emocional e menos tempo. Com essa idade já nos ajustamos ao salário, ou nos resignamos a ele, o que evita maiores frustrações. Os sonhos são menores, mais facilmente exeqüíveis e a saúde assume a forma do bem maior, desejado antes de qualquer outro. Aproximamo-nos mais da família de origem, buscando as raízes, tentando voltar ao ninho de nascimento, até como uma forma de proteção contra o receio da morte.

Fazer cinqüenta anos é ter acompanhado a evolução do fogão a lenha ao forno de microondas, habituando-se a eles; da caneta-tinteiro ao teclado do computador; do cinema mudo aos filmes com efeitos especiais; dos bebês deixados em cestinhas à porta das casas ricas aos clones; do beijo técnico em Casablanca aos edredons do Big Brother Brasil; do telefone de manivela, via telefonista, à invasão dos celulares cada vez mais avançados e muitas outras mudanças que nós realmente vivenciamos e às quais tivemos que, em tempo recorde, nos adaptar para não perdermos o bonde da história.

Quem de nós não brincou de bonecas de papel, com as roupinhas cuidadosamente recortadas? Quem não teve botões de casacos arrancados pelo irmão para ser transformado em um artilheiro de seu time de futebol de botão? Quem não pediu mármores (até do cemitério) para fazer pedrinhas de Cinco Marias? E pulou amarelinha, brincou de baleia, de rei-rainha, de bandido e mocinho, de esconde-esconde? Ouvindo novelas de rádio, sem TV e muito menos os questionáveis videogames.

Ser “cinqüentinha” é também ser “envelhescente”, com altos e baixos típicos da transição de idade, sentindo-se às vezes com vinte e em outras com setenta anos, achando seus contemporâneos envelhecidos, embora seu bom senso permita que eles pensem o mesmo de si. É chorar e gargalhar menos, mas sorrir mais. É ter seu termostato enlouquecido, com ondas de frio e calor diferente das outras pessoas, causando estranheza e muitas vezes embaraços. Isso ou optar pela reposição hormonal, inchar como um balão e aproveitar a desculpa para saborear todos os doces proibidos, concluindo que maiô é muito mais elegante que biquíni e que o sol da praia é um perigo para a pele. É, de repente, ser chamada de “senhora” por todos os jovens bem educados e de “tia” pelos nem tanto. É valorizar mais o amor-calmaria, o amor-companheirismo, o amor-sintonia. É ter a casa cada vez mais cheia de porta-retratos, mesmo apreciando menos as fotos “ao natural”.

Chegamos a essa etapa da vida com “o pacote completo”: rugas, varizes, flacidez, cabelos brancos, filhos criados, trabalhos dobrados e ainda a desejada e assustadora aposentadoria. Não podemos mais gerar filhos, tampouco trabalhar, precisamos esvaziar nosso armário e cedê-lo a alguém mais jovem, com mais energia. Isso não significa, todavia, que somos descartáveis, apenas que é hora da colheita e não mais da plantação. Quem teve a sorte de chegar até aqui com um companheiro fiel e carinhoso, leva vantagem. Caso contrário, vale a pena correr atrás e encontrar seu par para a próxima etapa da vida. Afinal, podemos caminhar de mãos dadas, dançar, ir ao cinema, viajar, ser feliz. Até porque, com a indústria da beleza a nosso favor, tem muita mulher de cinqüenta arrasando nas passarelas da vida. Além do que a beleza da alma não é apenas um eufemismo, ela existe e se manifesta de forma vigorosa na maturidade.

Completar 50 anos, por fim, é agradecer a Deus por ter chegado com saúde ao topo da colina e, uma vez lá, aproveitar bem a paisagem antes de começar a descida.

Afinal, meninas, somos cinqüentinhas, mas continuamos adoráveis!  

 



Escrito por Maria Luiza às 19h26
[] [envie esta mensagem] []



CABEÇA FEITA

Hoje eu reconheço o valor das escolas que se propõem a criar cidadãos críticos.

Muitas gerações só aprenderam nos bancos escolares a papagaiar nomes e datas, assim como os cursinhos pré-vestibulares fazem até hoje. No máximo, aprendia-se a criticar exatamente como o historiador propunha, respondendo a questões formuladas pelo próprio. E não se deve esquecer que a História anda de braços dados com a Literatura, a ficção e que os "fatos" dependem muito da visão do historiador que os relata.

Em síntese, o que se fazia era pensar com a cabeça dos outros.

Foi assim em relação à Ditadura Militar. Os professores muito contrários a ela foram cassados e os que ficaram nos fizeram mastigar um discurso falso, superficial, cheio de inverdades (dos dois lados).

Eu, na época, era casada com um militar e sofri bastante discriminação na Universidade, hostilidades gratuitas, como se meu marido (que nunca nem tinha ido a Brasília) tivesse deposto João Goulart e Brizola. Passei anos ouvindo piadinhas de gosto duvidoso, atribuindo aos militares o "emburrecimento" do povo brasileiro.

Não tenho autorização e muito menos preparo para defender os militares aqui ou em qualquer lugar. Só sei o que uma esposa de oficial podia saber - que os militares nunca foram preparados para almejar o poder. No meu modesto (de verdade!) entender, a ditadura foi assim como um remédio amargo para curar uma doença, com data para deixar de tomar.

Claro que as torturas e censuras foram execráveis e sem justificação possível!

Sempre digo que tudo tem, no mínimo, dois lados. E o lado bom da ditadura militar foi a moralização dos poderes públicos, sem roubalheira, sem corrupção, sem desvio de verbas.  Se estivessem no poder hoje em dia, certamente os militares voltariam a fechar o Congresso Nacional, entre outras medidas.

Escrevi, inclusive em trabalhos acadêmicos, que , por causa da ditadura militar, muitos "gênios" tiveram que se calar, por conta da censura. O curioso é que, depois da ditadura, os tais gênios pelo visto continuaram calados...

 Os alunos dos Colégios Militares saem muito bem preparados, porque têm disciplina nas aulas e nos estudos. Que eu saiba, nenhum professor destas escolas foi ofendido ou agredido.

Leio hoje num jornal local o protesto de um homem, cuja esposa de apenas 37 anos está hospitalizada, com câncer, e sofrendo pela falta de um remédio que poderia aliviar suas dores. O SUS alega que não tem recursos para fornecer o tal remédio. Pois é, parece que no Brasil só faltam recursos para remédios, material escolar e outras necessidades básicas. Já para os apartamentos funcionais, para os cabides de emprego, para as verbas de representação, para as viagens semanais dos políticos, para as propinas, para os mensalões, para a gastança oficial (e oficiosa), para tudo isso nunca faltam recursos. Curioso.

Penso no quê os livros de história deste tempo irão registrar, sob que ótica. Dos políticos? Do povo? Dos ricos? Dos miseráveis? Dos bandidos ricos? Dos bandidos pobres? De quem?

É, fazer a cabeça de alguém é um compromisso muito sério. Melhor educar para que cada um seja capaz de tirar suas próprias conclusões.

 



Escrito por Maria Luiza às 19h35
[] [envie esta mensagem] []



INCESTO OU TRAIÇÃO?

Hoje vou lhes contar uma história e gostaria de ouvir algumas opiniões.

Trata-se de duas amigas, a quem chamarei de M e Z.

Amigas desde a adolescência, diferentes como o sol e a lua, uma linda por dentro e a outra radiosa por fora. Mesmo assim, boas amigas.

M cultivava dons perenes e Z impedia qualquer marca do tempo em sua casquinha, sempre bonita, elegante, primorosamente vestida e colando as provas inteiras de M para conseguir passar de ano.

Cedo casaram. M continuou estudando e Z aproveitou a desculpa para nunca mais chegar perto de um livro.

Tiveram filhos, saíam para programas de casais, frequentavam a casa uma da outra, os maridos amigos, os filhos idem e elas cada vez mais.

A vida se encarregou de afastar as duas, enviando a família de M para longe. Mantiveram contato, cada vez mais espaçado por conta dos afazeres de ambas e da criação dos filhos.

Tempos depois, filhos criados, Z enviuvou.

M separou-se do marido e casou novamente, com um homem com quem tinha mais afinidade.

As amigas voltaram a se encontrar e o ex-marido de M começou a demonstrar interesse por Z, que imediatamente correspondeu, iniciando um relacionamento.

De repente, o jogo reiniciou com papéis trocados, num revival de situações já vividas por distintos personagens, com direito a comentários íntimos por parte de Z acerca do desempenho do ex-amigo, agora namorado.

Os filhos de M não gostaram, apesar de sempre terem sido afetuosos com a amiga da mãe. Dizem que não acham "normal".

Tempos modernos ... será?

Na cabeça de M há uma abelhinha querendo descobrir se tanta atração já existia no tempo dos antigos casais, ou se surgiu no presente.

Caberão ciúmes? Desconfianças? Sensações esquisitas, sem denominação específica?

Uma amiga de verdade ficaria com alguém que já tivesse sido de sua grande amiga? Ela, M, ficaria?

É normal ou patológico?

É traição, ou incesto?

Sei lá... E você, o que acha?



Escrito por Maria Luiza às 08h06
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Sul, FLORIANOPOLIS, ESTREITO, Mulher, de 46 a 55 anos, Portuguese, Spanish, Livros, Arte e cultura, música
MSN -



Histórico
Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Mãe e muito mais
Cinco Espinhos
ALEGRETE - RS
Poesias gauchescas
Blog da Roseli
Consciência e Vida
Saia Justa
Elas estão lendo
José Saramago
Simplesmente Maria