CHICO XAVIER

Para prefaciar o livro de um colega, procurei me valer de algumas citações da doutrina espírita, que ele pratica.

Descobri coisas tão lindas e significativas que não resisti e vim reparti-las com vocês, afinal, a gente reparte tanta bobagem nesta internet...

Vejamos então "as pérolas do Chico" (segundo minha amiga Jeanne):

"Existem pessoas que se sentem ofendidas, magoadas pro qualquer coisa: à mais leve contrariedade, se sentem humilhadas...

Ora, nós não viemos a este mundo para nos banhar em água de rosas!"

"Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar.

As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito."

"Sabemos que precisamos de certos recursos, mas o Senhor não nos ensinou a pedir o pão, mais dois carros, mais um avião...

Não precisamos de tanta coisa para colocar em cima de nós. Podemos ser chamados hoje à Vida Espiritual..."

Não tenho conhecimento, nem competência para comentar.

Só sei sentir. Profundamente.



Escrito por Maria Luiza às 17h18
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AMIGOS

Se existe uma coisa na vida a que dou muito valor é a AMIZADE.

Preservo até hoje meus amigos de infância e volta e meia nos cruzamos lá no meu Alegrete, ou por aqui, nas praias catarinenses, ou no orkut, no blog, na internet enfim.

É incrível a sintonia que temos, mesmo sem nos vermos, às vezes há anos, reconhecemos o estado de espírito do amigo apenas ao ler suas mensagens.

Sabe o que é aquela coisa de amar os filhos dos amigos como se fossem do seu sangue? A gente quer bem de verdade e não por imposição de parentesco.

Os tios mais tios que tive não eram meus tios de verdade. Ela era a melhor amiga de minha mãe e minha madrinha de crisma. Os filhos deles são até hoje os "primos" mais próximos que tenho, mesmo sem consangüinidade.

Quando nos reunimos, lá na velha casa da Mariz e Barros, eu e minhas amigas voltamos a ser adolescentes, falamos juntas, rimos de tudo, os olhos brilham, a cuia de chimarrão passa de mão em mão, falamos sobre nosso assunto predileto: os filhos (e netos, das que já os têm).

Nos momentos de tristeza ou angústia, só penso nas minhas amigas e uma palavrinha delas já me coloca em pé novamente.

Triste do ser humano que passa pela vida sem amizades verdadeiras. Muitas vezes, um bom amigo vale mais do que um amor, pois se transforma menos e tolera mais, sabe esperar o momento certo para nos falar certas coisas, agüenta melhor nosso mau-humor, enfim, é mais solidário.

Desconfio muito de quem não tem amigos. Para mim, é sinal de que alguma coisa não está bem com aquela pessoa, pois nem os amigos se aproximam e se conservam.

E aqui vai um recado para os amores: observe bem como o ser amado trata os amigos, as outras pessoas, pois, com o passar do tempo, quando a paixão acabar, vai te tratar do mesmo modo. Não tem erro!

E mais um conselho, já que hoje estou de consultora sentimental (até parece!); escolhe alguém para teu par na vida com quem tenhas sempre muita coisa para conversar, uma vez que, por muitos anos, é isso que farão na vida.

Pois é, meus amigos, minha diarista acabou de ligar avisando que tem greve de ônibus na Ilha e ela não poderá vir.

Então, mãos à obra!

 



Escrito por Maria Luiza às 08h49
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DIÁRIO VIRTUAL

Minha cabeça está cheia demais para poder concatenar as idéias e escrever sobre algum dos tantos assuntos que quero abordar.

Não posso dizer aqui tudo o que sinto ou penso, pois há coisas que devem ser guardadas, quanto mais não seja porque envolvem outras pessoas.

Esta é talvez a maior diferença deste blog para os meus incontáveis diários virtuais. Neles eu podia contar tudo. Podia mesmo? Mesmo sabendo que a minha mãe os lia escondida? Que o meu marido volta e meia fuçava neles? Acho que foi nesse tempo que aprendi a usar as figuras de linguagem, metáforas, paráfrases e tudo o mais que me auxiliasse a lembrar depois do que tinha ocorrido, sem escrever claramente sobre o fato.

Procuro alguém que saiba ouvir, que aceite conselhos, que reconheça as boas intenções, que não se deixe influenciar por pessoas melífluas, que aprecie o carinho, a cortesia, o sorriso, que tenha e pratique a generosidade, que goste de ler, de ouvir boa música, de apreciar a natureza, que fique feliz praticando o bem e vendo a felicidade do outro. Enfim, quero alguém que coloque minha netinha no meu colo, contente por saber que eu cuidarei muito bem dela. Que faça os olhos dos meus filhos brilharem, seus lindos dentes à mostra, de volta as piadas, as risadas com gosto, aquele burburinho que deixava até a cachorrinha feliz.

Aqui eu deveria colar uma gravura, ou fazer um desenho, pois não há mais nada que possa ser dito.

Então...



Escrito por Maria Luiza às 15h02
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BRAVA SEGUNDA CLASSE!

Se é que existe realmente uma distinção de classes sociais na espécie humana, penso que a "primeira classe" é bem mais sem graça que a segunda, porque uniforme, imitadora, globalizada, sem acentos regionais, podendo pertencer a qualquer país, desde que preencha alguns requisitos como: falar inglês e francês; usar grifes mundialmente famosas; possuir um closed repleto de roupas e sapatos assinados e por aí afora, numa lista imensa de futilidades que me canso até para enumerar.

Já a "segunda classe" é muito mais divertida, peculiar, representativa, genuína. E amplamente menosprezada por aqueles que se julgam num degrau acima do resto da humanidade.

Vejam o caso dos nordestinos, por exemplo. Criados no sol, no calor, com pouquíssima roupa e precisando abandonar sua terra e sua gente para vir trabalhar nos sul, onde há, pelo menos, subempregos. Aqui se submetem ao frio, ao deboche, às agressões verbais, como se fossem mesmo cidadãos de segunda classe.

Em contrapartida, pessoas de todas as regiões do país, principalmente do Sul e Sudeste, viajam sistematicamente ao Nordeste, em busca das praias de águas mornas, dos frutos do mar, dos forrós, das festas juninas, das danças típicas. Só gostariam de poder tirar o povo de lá, apossando-se da terra também, como patrimônio das regiões mais ricas e menos ensolaradas.

O Nordeste é lindo, quente, alegre e não deve nada às demais regiões, mais ricas, de temperaturas negativas, onde as roupas grossas, bons vinhos, chocolates, fondues e churrascos são reservados apenas à primeira classe.

Ser pobre no sul do Brasil é duas vezes mais triste, porque passar fome num frio de rachar dói ainda mais.

Por isso, essa imaginária divisão de classes é ainda mais ingrata para os sulistas. Uma coisa é passar fome estendido numa praia de areias quentes, com coqueiros à vontade e peixes na rede; outra é se encolher debaixo de um viaduto ou sob marquises, deitado em papelões, ouvindo o roncar das próprias tripas.

Para uma humanidade que sabe o quanto a vida é efêmera e que ninguém consegue comprar o adiamento da morte, há orgulho demais por aí...

Ao invés de separar os homens em classes, que tal tratar melhor da classe "humana"? Hein?!



Escrito por Maria Luiza às 12h02
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AH, ESSAS NORAS MARAVILHOSAS!

Dedico este texto a todas as leitoras que são sogras de noras (de genro não vale).

O que seria de nós, pobres mães de filhos homens, se Deus não nos tivesse reservado, no auge da vida, a companhia maravilhosa e terna dessas moças com quem nossos meninos se casam!

É maravilhoso poder passar para elas tudo aquilo que aprendemos na vida - e que já testamos e sabemos que dá certo -  e ver como elas aceitam de bom grado nossos ensinamentos!

Nos emocionamos vendo o amor, o carinho e a dedicação com que elas tratam nossos filhos, sem lhes cobrar nada, falando sempre com a voz tão meiga (igualzinho ao tempo do namoro) e achando lindo quando os abraçamos, ou quando eles manifestam seu amor por nós.

Quando chegam os netos, então, é aquela realização de um sonho antigo, de embalar os pimpolhinhos a toda hora e ainda sermos elogiadas por sabermos tão bem lidar com as crianças!  Elas não cansam de nos agradecer os presentes, o tempo que cuidamos dos pequenos, os quitutes que preparamos, enfim, um paraíso na terra.

Além disso, se cozinhamos melhor que as mães delas, ou se os netos preferem ficar conosco, gostam mais dos nossos beijos e das nossas histórias, as noras reconhecem isso de forma justa e imparcial, inclusive diante de toda a família, nos elogiando e agradecendo a nossa dedicação. Assim como os genros (nossos filhos) costumam fazer em relação às mães delas.

Por falar neles, que já eram nossos grandes amigos, passam a ser mais até do que isso, incentivados pelas esposas, que reconhecem o quanto fizemos por eles (e por elas) e os motivam a nos tratar cada vez melhor.

O que seria das sogras se não fossem as noras?!

Como obter tanto reconhecimento, tantas alegrias, tanta compreensão, tanta amizade verdadeira se essas moças não existissem em nossas famílias?!

Por tudo isso, para as nossas amadas noras , somos obrigadas a desejar o melhor - que elas tenham , futuramente, noras iguaizinhas a elas! Sem tirar, nem pôr. Cópias fiéis.

Só assim elas  terão a chance de conhecer, como nós, a verdadeira felicidade e união familiar.

Que os anjos digam amém!



Escrito por Maria Luiza às 14h10
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4 000 MOTIVOS!

É claro que estou sem saber por onde começar de tanto serviço doméstico. Depois de uma semana de casa cheia, qualquer pessoa pode imaginar!

Mas 4000 leituras dos meus textos, são quatro mil motivos para eu deixar tudo de lado e vir aqui conversar com vocês.

Já falei que este blog não tem nenhum atrativo extra, a não ser o que possa advir do significado das palavras. Não sei colocar música, imagens e outras coisas que enfeitam lindamente outro blogs que conheço. Só sei escrever e nem sempre bem.

Hoje, por exemplo, estou fragmentada, pois as emoções do final de semana ainda não decantaram. Meu texto será igual, com pouca coesão.

A Pitty está aqui ao meu lado, com todos os seus brinquedos, injuriada porque não os lanço para ela buscar. Não é neta, é a minha cachorrinha viram! Parece que todo mundo espera alguma coisa de mim. E sou só uma!

Minha irmã acha o fim do mundo a gente ter orkut ou blog. Diz que não imagina sua vida devassada na internet. Tem gente que usa aqueles cadeadinhos irritantes nas fotos e recados do orkut. Eu não. Ou coloco ali coisas que todo mundo pode ver, ou então uso e-mail, telefone, etc.

No blog é a mesma coisa. Para mim é um substitutivo do jornal onde sempre escrevi. Sempre fui cronista, sempre escrevi sobre mim mesma "também"; o importante é a gente conhecer os limites do público e do privado e respeitá-los.

Minha netinha está viciada no meu colo. Fico com as costas ardendo, mas bem faceira dela se acalmar só de ouvir minha voz. Os pais novos, principalmente os de primeira viagem, são muito ansiosos; por isso os bebês gostam tanto do colo dos avós, já sem aquela expectativa toda.

Meu irmão fez um churrasco com carne de ovelha e lingüiça de Alegrete. Regado a Nortenha! Para comemorar um aniversário de 89 anos parece meio inadequado, mas até a aniversariante adorou!

Mais uma criança vitimada por padrastos... é de arrepiar! Isso vai ter que receber um tratamento específico e à parte. Não dá pra tratar desse assunto superficialmente.

Sei que tem gente que espera assuntos assim como os de hoje, leves.

Outros preferem o tratamento de questões mais profundas.

Há ainda quem aprecie a minha revolta, a minha indignação.

Em todos os casos sou eu, inteiramente.

Hoje estou assim. Mas não deixei de vir até aqui para recebê-los.

Uma ótima semana!



Escrito por Maria Luiza às 11h47
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CRISE DE VALORES

 

Nunca pensei que um dia pudesse me tornar moralista, careta, todas essas coisas tão desagradáveis, que repudiamos na juventude.

Acontece que a humanidade está vivendo uma crise de valores sem precedentes, tipo Sodoma e Gomorra. E não é só na libertinagem; é na violência, na corrupção, no salve-se quem puder.

Conversando com o vigário da Paróquia que freqüento, dizia ele que a Igreja está com muita falta de padres, até em regiões de colonização italiana e alemã, de onde eles costumavam surgir. Aleguei que o celibato poderia ser uma das causas desta evasão dos jovens nos seminários, ao que ele contestou afirmando que os católicos ortodoxos se casam e também estão rareando. Que os pastores metodistas, presbiterianos, luteranos, estão todos com muita deficiência em seus quadros e que apenas os pastores evangélicos se multiplicam, porque a formação é quase nenhuma e as cobranças menores ainda.

 A humanidade vive um surto de hedonismo nunca visto antes. Só interessa o prazer, o hoje, o agora, o se dar bem. Por isso fica tão difícil abandonar os vícios (vou morrer de qualquer modo), semear coisas boas, cuidar do planeta. O raciocínio é “enquanto eu viver terá água, luz, etc., então, pra que vou me preocupar em preservar a natureza?” Pobres das gerações futuras...

Nem pretendia escrever sobre isso, para não dar mais cartaz a uma atitude detestável daquelas mocinhas que foram ao cinema em São Paulo e “resolveram” fugir de casa. E a Rede Globo, num programa dito sério como o Fantástico, ainda se dá ao desplante de entrevistá-las e às mães, tão ou mais irresponsáveis do que elas! O que precisavam era de uma surra de relho e um castigo “daqueles”! Aliás, se tivessem sido convenientemente castigadas na infância, pensariam cem vezes antes de aprontar uma dessas. Diz a mãe de uma delas que foi “mãe muito jovem”, como se isso justificasse sua falta de pulso e que “a menina foi criada sem pai”, mais uma razão para ela ser pai e mãe e redobrar os cuidados com a educação da filha. Fiquei pasma ao ver que o programa, em nenhum momento, mostrou aos seus jovens telespectadores tudo o que poderia ter acontecido com aquelas mocinhas, viajando em boléias de caminhão e carros desconhecidos, hospedando-se em hotéis de periferia (que hospedam menores), como se o resultado deste tipo de atitude fosse apenas uma aventura para contar. Irresponsáveis as meninas, os pais e os jornalistas que fizeram o programa e ainda se deram ao trabalho de contratar um psiquiatra para analisar as reações das desenfreadas.

Não há como não se indignar com essas coisas!

As pessoas não podem aceitar tudo como “natural”, tentando serem modernas, globalizadas, liberais. O resultado está aí: pais jogando filhos pelas janelas dos prédios e dos carros; militares soltando balões e incendiando pessoas; jovens que deviam estar estudando para garantir seu futuro fazendo turismo de alto risco; traficantes e milícias dominando grandes porções das cidades; políticos eleitos pelo voto popular roubando do próprio povo; sem terra, sem teto e sem fundamento invadindo e quebrando tudo, um caos!

Como podemos deitar a cabeça no travesseiro e dormir placidamente sabendo de tudo isso? Como avestruzes? Pagando pra não se incomodar? Ou esperando que aconteça dentro da nossa casa, com alguém da nossa família para começarmos a enxergar o problema?

Chega de se fazer de morto! Reaja! Dê a cara para bater, mas não aceite tudo como “natural”! Não é natural, está errado!  Por isso hoje as famílias têm que contratar uma babá para educar seus próprios filhos, já que crianças de quatro ou cinco anos dominam completamente os pais e criam sua própria rotina na casa.

Olha, vou encerrar mais uma vez com o chavão do jornalista Boris Casoy:

- Isto é uma vergonha!

 



Escrito por Maria Luiza às 11h08
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FINAL DE DOMINGO

Hoje não vou falar de pessoas, mas de sentimentos. "Aquilo" que atesta nossa humanidade (embora minha cachorrinha também os possua).

Por que há esta síndrome de final de domingo? Pensava que isso só ocorresse com quem precisa trabalhar na segunda-feira, levantar cedo, etc. Mas estou aposentada e continuo sentindo esta melancolia à medida que o sol se põe.

A Missa me ajuda a fazer a passagem do dia para a noite e a suportar o Faustão antes do Fantástico. A TV também não ajuda né! É só futebol!

Tenho jornais para acabar de ler, alguns bons livros na fila de espera e me pego com o  olhar perdido na sacada, reparando na melancolia de todos que entram ou saem do prédio.

Na sexta-feira é aquele frenesi. Carros apressados, semblantes animados, todo mundo à espera de um fim-de-semana glorioso (mesmo sabendo que dificilmente será). No sábado é todo mundo na rua, entupindo as lojas, congestionando as operadoras de cartão de crédito, lotando os supermercados e cinemas. Já no domingo...

Dia de dormir até tarde, almoçar as comidas de domingo, encontrar a família para desenterrar uma discussão, comer demais, fazer as promessas de segunda-feira (regime, ginástica, etc.) e assistir futebol, futebol, futebol na televisão.

Á noite cai a ficha, faz-se o balanço, requenta-se as sobras do almoço, soma-se os gastos, acerta-se o despertador e se vai para a cama com aquela sensação de que domingo é mesmo um dia péssimo, que tudo poderia ter sido melhor, que no próximo a gente vai mudar o programa, patati-patatá.

Agora me digam, porque a gente se sente assim aos domingos?

Na infância, lembro de adorar este dia da semana, porque ia à missa, depois ao matinê, usava as roupas domingueiras, paquerava (já falei que era namoradeira), passeava com as amigas em volta da praça flertando com os meninos, ia às reuniões dançantes à tarde, no salão da escola, enfim, era um dia glorioso.

Já agora...

Por que será?



Escrito por Maria Luiza às 18h57
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NAMORAR

Sempre fui namoradeira, graças a Deus!

No Jardim de Infância já namorava o Zezinho; no primário o Mário Roberto e o Dêio; no Ginásio o Humberto, o José Mário e muitos mais, cujos nomes nem vou citar para não ficar chato, tal o tamanho da lista.

Isso que casei muito cedo, aos 18 anos. Era costume na época. Mas meu “noivo” teve que encerrar vários outros namoros concomitantes que eu tinha (alguns por correspondência) e isso deve tê-lo apressado para “oficializar” nossa união.

Durou pouco minha fase namoradeira, uma vez que só pude sair mesmo de casa para os bailes e cinemas à noite depois do debut, no entanto foi muito fértil. Nem sei como conseguia estudar tanto, ser tão CDF, se tinha tantas cartas para escrever, encontros a marcar, matinês, passeios na praça. Até novenas eu inventava de fazer nas missas das 19h para poder ver um namoradinho que estudava na escola ao lado da Igreja. Era muita devoção, até que minha avó (muito sabida) desconfiou e me cortaram os santinhos.

A verdade é que no “meu tempo de moça” (década de 70) a gente não “ficava”, raras davam o “mau passo”, a maioria casava virgem mesmo, mas o que se namorava! Pegar na mão no cinema, um beijo roubado e infinitos passeios, lado a lado, ainda de saia plissada e gravata do Colégio, conversando sobre aquelas coisinhas que só fazem sentido para quem está enamorado.

Por isso, até hoje, dois casamentos depois, ainda acho NAMORAR o supra-sumo da maravilha! Adoro jantar à luz de velas, música suave tocando, vinho tinto em belas taças, comida boa e bonita, flores, dançar juntinho, ouvir e dizer “Eu te Amo!” , enfim, tudo o que representa realmente um namoro.

Portanto, definitivamente, hoje é meu dia! Meu e do Paulo, meu namorado e marido.

Parabéns para mim (para nós) e para todos que pensam e sentem como eu!

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!



Escrito por Maria Luiza às 22h35
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UM ANO SE PASSOU...

Parece mentira, mas está fazendo um ano que embarcamos em nossa linda viagem pela Europa!

Para mim, foi a concretização de um sonho de toda uma vida. Esperei me aposentar, formar os filhos, receber o FGTS e, finalmente, conhecer Paris!

A bem da verdade, já chegamos lá meio bombardeados, depois de 20 dias num ônibus sem muito espaço, nem banheiro. As roupas meio amarfanhadas, os Pinóquios rebentando as malas, os souvenires se acumulando na bagagem que desafiava os músculos de Dom Diego na hora de colocar tudo no bagageiro, todos os dias!

Mas chegamos! Subimos na Torre, andamos pelo Sena de Bateaux Mouche,  visitamos o Louvre, assistimos ao show do Moulin Rouge, caminhamos pelos jardins do Palácio de Versailles,  compramos perfumes, enfim, vivemos Paris!

Como esquecer Lisboa, Cascais, Estoril, Sintra, Fátima, Madri, Barcelona, Toledo, Nice, Mônaco, Pisa, Roma, Florença, Veneza, Berna, e finalmente PARIS?!  As paisagens suíças (e os chocolates!), aquelas refeições regadas a bom vinho, os cafés da manhã em bons hotéis, os banhos de banheira, nossas risadas, o encantamento ao ouvir os guias, ao visitar o Vaticano, ao ver a dança flamenca no “Curral de La Pacheca” (Maria do Carmo a caráter!), enfim, em 22 dias vivemos 22 anos, em matéria de aprendizado e normas de convivência.

Sim, porque não é fácil para adultos que não se conheciam, ficar quase um mês confinados no mesmo ônibus, mesmos hotéis, mesmos passeios. Foi uma prova de resistência que superamos com louvor, pois ficamos amigos, nos respeitamos e até hoje sentimos saudades daqueles dias ( eu , pelo menos, sinto e muita!).

Alguém sabe o nome daquela ponte lá de Toledo? É só apertar o nariz (pra ficar fanho) e repetir Ponte de San Martin.

E o cardápio na Suíça hein? Que dureza...todo mundo comeu a mesma coisa, sem entender bulhufas.

E os cachorrinhos nos restaurantes?

A fúria dos balconistas quando falávamos juntos, ou nos metíamos durante o atendimento a outra pessoa.

O pulo que uma mulher deu quando toquei em seu braço para pedir uma informação no metrô de Paris.

E a Maria do Carmo perdida em Pisa? Subindo ao palco no show de dança em Madri. Guardando garrafas de lembrança, campeoníssima de bagagens.

 Lembram do casal Klein, que estava em lua-de-mel? Ele ficava uma arara com a Maria do Carmo! Eram paranaenses, ele era procurador (parece) e comprou aquela sandália larga de plástico que agora é moda no Brasil. Devia estar com os pés em brasa, pois comprou bem grande...rsrsrs

 E as três gerações de mulheres, que sempre se atrasavam e saíam dos hotéis sem café, ainda porque a Juliana ia buscá-las no quarto? A linda Mariana, sua mãe e sua avó, que usava saltos altíssimos até que caiu deles.

Lembrei de um casal simpaticíssimo de Maringá, que quase sempre sentava perto de nós e vinha trocando figurinhas com o Paulo sobre o Paraná. É o Israel e sua esposa (que não colocou o nome na lista e a minha memória gasta não ajuda!). 

Tinha um casal com filhos pequenos, morrendo de saudades das crianças, mas não consigo ligar o nome à pessoa. 

Lembram das “comprinhas da Ana Paula e do Ricardo (quantos casacos de pele!)”?

Das minhas três “filhas” cariocas, com quem me correspondo até hoje? Que me chamavam de “mãe” e ao Paulo de “Don Quixote” (parece mesmo não é?).

Lembram da Ana Lúcia (Margareth Menezes), anjo bom que conduzia sempre os que tinham mais dificuldade de orientação, ou de comunicação? Até hoje vive comendo jamón, de tanto que gostou. Esta já revi, ficamos grandes amigas.

Recordam-se do Sérgio, que dividia quarto com o Nertran, e jurou nunca mais viajar sem sua cara metade?

E os dois casais gaúchos? Bem, eu também sou gaúcha, não esqueçam. A simpatia de Gil e Rose, Schmidt e Sandra! Como rimos no passeio de gôndola...

Do Pedro, sua esposa Isabel e aquele pai tão culto – Sr. Reginaldo -  para quem tudo estava sempre bom?

Do Sr. Nelson, sempre tão econômico, e dona Maria Emília exercitando seu espanhol?

Dos Marson, de pouca conversa e muita simpatia?

Do Natalino e da Ana Maria, gaúchos tri-simpáticos, ele o recordista de fotos?

Do Dércio e sua mãe Teresinha, simpáticos e cultos, fazendo coleta para o presente da guia?

Da elegância do Túlio e da Teresinha, parecendo um casal de bailarinos de tango?

Do Arcílio e da Selma, reis da simpatia, ele sofrendo com a falta de banheiro no ônibus.

Seu Joaquim e Aldinéia, quietinhos e educados.

Da Patrícia e do Emerson, igualmente tranqüilos e corteses?

E os dois casais de Belém do Pará: Léa e Orlindo; Wanda e Abel? Quanta simpatia! E as piadas da Léa, quantas vezes ajudaram a passar o tempo dentro do ônibus!

E o casal de Piracicaba? Leonira e Orlindo jantaram conosco em Paris ainda no último dia. Gente muito boa!

O casal Tanabe, quietinho e risonho?

Jussara e José Pacheco, sempre no primeiro banco do ônibus. Ela já deve estar com um bebê grandinho.

O Gomes, quietinho sempre, prestando muita atenção, jantamos juntos algumas vezes.

E da Maria do Carmo, alguém lembra? Sua prima era tão quietinha que não me recordo o nome, mas lembro da sua distinção. Maria do Carmo foi a verdadeira “figura” do nosso grupo. Inesquecível!

 Douglas e Léa, sempre atentos a tudo, sentados no último banco para caber suas pernas compridas. Paulo também queria sentar lá, só que eu não topava, porque os encostos não reclinavam.

Falando nisso, parecíamos colegiais, correndo para marcar os assentos, deixando casacos e frasqueiras, um marcando para outro (e levando bronca!).

Será que esqueci alguém?

Juliana, nossa guia, é claro. Tão jovem e já tão eficiente, capaz de lidar com um grupo heterogêneo, que foi se estressando ao longo dos dias e das viagens, e se saiu muito bem.

E Don Diego, nosso motorista, figura exemplar em educação, cortesia e força! Porque guardar aquelas malas todas, todos os dias, não é para qualquer um.

Passei várias listas no ônibus, tentando não perder contato com nenhum dos companheiros de viagem, se faltou alguém é porque não deixou seu endereço. Posso esquecer seus nomes, mas tenho certeza de que lembro de TODOS.

Olha, se vocês quiserem citar mais alguém, ou um fato marcante da viagem para vocês, ou seu retorno ao Brasil, mandem para mim que vou costurando na minha carta até termos um relato bem completo para mostrarmos aos nossos netos.

 

Não contei a vocês que ficamos um dia a mais na Espanha, porque perdemos a conexão? Fomos (sem bagagem) para uma cidade-dormitório chamada Parla, num hotel da Ibéria. Lá passamos a noite e o dia, pois nosso vôo seria à meia-noite do dia seguinte. Ao embarcarmos pela segunda vez, minha poltrona havia sido vendida duas vezes e quase ficamos mais um dia. O jeito foi me colocarem na primeira classe! Meninos, vocês não sabem o que é mordomia!!! Eu com a mesma roupa há dois dias, sem maquilagem, nem perfume, pois ficamos sem malas (só não virei a calcinha porque compramos outra!), uma bolsa feia que comprei num camelô em Barcelona (para caber mais coisas), sentada entre os ricos, engravatados, mulheres saídas das vitrines catalãs! Imaginem minha situação! Eu, uma alegretense metida à besta, escondendo os pés pra ninguém ver o sapato tão usado na viagem! Mal sentei já me trouxeram champanhe e o cardápio (isso mesmo!) para escolher a comida e o vinho do jantar. Pobre Paulo, lá atrás, sem poder desfrutar daquilo tudo comigo! Cada vez que eu me ajeitava na poltrona (enorme!), vinha um comissário saber se eu precisava de alguma coisa. Assisti a um filme que há muito queria ver na TV privativa, tinha um banheiro sempre disponível, sapatos de lã, mantas e travesseiros, além da poltrona se flexibilizar em muitos pontos até ficar na posição desejada. A nécessaire que recebi parecia uma frasqueira, de tantos objetos dentro (até perfume!). Enfim, acho que todos nós merecíamos ter voltado assim e eu me sentiria muito mais feliz se pudesse vê-los por lá. Foi um presentinho de regresso que recebi, até por ter ficado a noite anterior inteira brigando em espanhol no aeroporto de Madrid-Barajas.

Pois é, meus queridos amigos, está fazendo um ano de tudo isso. Quando relembro, está tudo tão nítido na memória que parece que foi ontem.

Adorei a viagem, adorei a companhia de vocês, adorei tudo!

Sei que muitos já tornaram a viajar, conhecendo outros lugares, espero também fazê-lo algum dia, pois viajar é uma injeção de ânimo e vida na gente.

Não quero perdê-los de vista, os que usam a internet ficam mais acessíveis, mas vou enviar esta cartinha pelo Correio aos demais. Espero receber respostas, com notícias de vocês, afinal, o Brasil é grande , mas não o suficiente para que nunca voltemos a nos encontrar.

Um abraço apertado nos homens, beijos nas mulheres e muita saudade desta amiga que não os esquece.

 

 



Escrito por Maria Luiza às 13h33
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INTERNET X BURRICE

Não posso deixar de dividir com vocês uma pesquisa revolucionária em termos de mundo virtual.

Até bem pouco tempo, quem não usasse a internet estaria fora do mundo, aquém de tudo, ultrapassado, sem crédito.

Pois bem, como tudo é circular na vida (criei e defendo esta tese), agora um professor de inglês, americano (como nossos professores de português), escreve um livro revolucionário - "The Dumbest Generation"  (a geração mais idiota) - afirmando que não se deve confiar em ninguém com menos de 30 anos, pois são jovens superficiais, incapazes de lembrar e de dar importância a fatos históricos.

O nome do professor-autor é Mark Bauerlein.

Entre os principais argumentos do livro estão:

- Embora tenham acesso a muita informação, os jovens não têm conhecimentos históricos nem interesse por questões internacionais. Na internet, interessam-se apenas em sites que os aproximem de outros jovens.

- Crianças e adolescentes cada vez menos lêem livros e cada vez menos acreditam que isso seja necessário para a sua formação.

-Com a leitura resultante da abundância de informações a que têm acesso na internet, os jovens de hoje têm dificuldade de escrever e de embasar argumentos.

- Eles não conseguem armazenar informações. Crianças e adolescentes acessam a rede só para encontrar material e passá-lo adiante, como num sistema de delivery.

- Ao invés de ler, os jovens preferem dedicar tempo a vasculhar vidas alheias e a expor as próprias em redes de relacionamento.

- O que os jovens lêem na rede não lhes acrescenta nada em termos de capacidade de elaborar textos.

Pois bem. Você concorda com isso? E os adultos? Qual será o uso que fazem da internet?

Pelo menos já foram bem treinados na escola, quando precisavam escrever e ainda passar a limpo.

E os alunos de hoje?

Como ficará o português daqui pra frente?

Uma provocação para o fim-de-semana. Pense nisso!



Escrito por Maria Luiza às 20h58
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DIETA CANINA

Não, infelizmente não estou de dieta. E precisaria! Este "excesso de gostosura" já está me aborrecendo e dando despesa, pois vivo tendo que comprar roupas (sempre com um número a mais).

Minha cachorrinha segue pelo mesmo caminho. Ainda nem pôde ser mamãe porque precisa emagrecer primeiro. E a danada só come ração light e cascas de legumes cozidos de vez em quando. Deve ter um metabolismo super preguiçoso. Nossos passeios pelo bairro também fazem falta, pois ela virou uma come e dorme perfeita. Acontece que os papeleiros andam sempre com grandes cachorros soltos pelas ruas, talvez para sua própria proteção, e eu me cansei de ficar caminhando com os bolsos cheios de pedras, então desisti.

Agora trocaram sua ração por outra (deve ser super light), indicada para cães obesos. A danadinha é tão boa de garfo que já seguiu comendo aquelas bolinhas secas como se fosse um manjar.

E eu tomei uma decisão. Se a Pitty emagrecer, vou comer ração de cachorro também! Acompanhada de um bom vinho e umas raspas de gorgonzola, é claro!

Hei de ficar "mais fina que assovio de papudo"!

Me aguardem.



Escrito por Maria Luiza às 13h52
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TEMPOS MAIS QUE MODERNOS

Tudo conspira para que eu me sinta velha e ultrapassada. Não bastassem os netos (maravilhas da minha vida!), meus amigos só colocam fotos em preto e branco no orkut, distribuem PPS de anúncios e filmes antigos, além de estarmos sempre re-vivendo, ao invés de viver.

Tento me rebelar, lembro que Woody Allen (muito mais velho) está no auge, que Rubinstein foi o melhor intérprete de Chopin aos noventa anos, que Lula se tornou presidente mais velho do que eu e assim outros exemplos que vivo garimpando. Como se só o fato de me apoiar neles já não denunciasse minha idade...

Sou envelhescente, já disse. Com todos os achaques que a transição de idade acarreta. Não tenho direito à fila dos idosos, nem mesmo à vacina contra a gripe; agora, vai ver se os jovens bonitões não me chamam de “tia”?!

Passando os olhos em comentários sobre a tal “escorregada” do jogador Ronaldo, que não pretendo comentar porque acho perda de tempo, surpreendi-me com a declaração de Caetano Veloso, dizendo que Ronaldo não devia explicações a ninguém e que era tudo normal, etc. e tal. Bem, a mim realmente ele não deve explicação alguma, até porque para mim ele praticamente não existe. Agora, aos seus fãs, dirigentes, colegas, familiares, etc., será que é assim mesmo? A vida é minha e pronto!?

Onde fica a noção de sociedade, comunidade, valores éticos e morais, comportamento e tudo o mais que a convivência exige, para que não nos transformemos em ilhas de egoísmo, numa selva de pedra?

O que quero salientar é que não me interessa a orientação sexual do Ronaldo, nem de ninguém, todavia é bom saber que não estamos sozinhos no mundo e que toda sociedade tem normas de conduta para ser considerada como tal, normas essas até bem flexíveis no Brasil. Agora, uma relação que acaba numa Delegacia de Polícia, com pessoas enganando e se sentindo enganadas, não pode ser considerada normal.

Mais uma razão para que eu  me sinta ultrapassada. Só que Caetano é mais velho do que eu. Será que o fato de nos tornarmos libertinos rejuvenesce?

Não posso deixar de pensar como será o mundo dos meus netos. A não ser que a circularidade da vida e da moda se cumpra e, daqui a pouco, como voltaram os casamentos de véu e grinalda; como o cigarro, o álcool e as drogas estão sendo duramente combatidos; como o planejamento familiar vem substituir o amor livre ( e irresponsável), quem sabe até eles ficarem moços a moral será menos flexível e mais saudável.

Isso se não destruírem o planeta antes, é claro!

 

 

 



Escrito por Maria Luiza às 16h49
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RICOS RIDÍCULOS

Hipocrisia ou não, os ricos são quase sempre ridicularizados nas novelas, nos filmes, na dramaturgia e até na Bíblia ("mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus").

Os ricos, nesses enredos, geralmente têm péssimo caráter, são desonestos, preconceituosos e acabam levando uma rasteira da vida e se dando mal.

Na vida real não é assim. Ricos viajam, comem bem, vestem bem e até suas eventuais dores de cotovelo são curadas em "alto nível" , com viagens fantásticas, carros novos ou amores de dar água na boca.

Têm planos de saúde, médicos em domicílio, até porque bebem mais, fumam mais e usam mais drogas que os pobres, já que todos esses vícios custam caro. Ao pobre fica a caninha braba e as bitucas de cigarro jogadas nas ruas.

Não adianta fazer uma apologia da pobreza, pois soaria falso. Dificilmente o dinheiro atrapalha alguém; a falta dele, ou a necessidade de dividi-lo é que ocasiona a ruína de muitas famílias.

Muitas pessoas se acham ricas, apenas por não sofrerem privações. Melhor para elas.

Só que RICO mesmo é outra coisa. Aliás, nem sei bem o que é. Deve ser escolher o iate para passear combinando com o maiô e por aí afora.

Deus sabe o que faz. Eu não poderia ser rica. Iria sofrer muito. Não me considero nenhuma Madre Teresa de Calcutá, no entanto, sinto vergonha ao passar de carro por um homem, na chuva, puxando uma carrinho cheio de entulhos para trocar por comida.

Não conseguiria ser rica lendo jornais, assistindo TV, ouvindo rádio e sabendo de tanta gente passando fome, morrendo por falta de remédios, sentindo dores sem poder comprar analgésicos.

Como professora aposentada, sei que pouco ou nada posso ajudar, a não ser denunciar, conscientizar, mostrar a realidade a quem prefere fazer que não viu.

E Deus? O que será que Ele pensa sobre tudo isso? Deus pensa?

Na minha agenda encontrei um poeminha, de alguém com o estranho nome de Messódy Ramiro Benoliel, que diz assim:

E agora, Setembrino?

O açúcar acabou, o fubá se foi

As crianças cum fome, só dorme no tapa,

E vancê me vem cum fala imbolada

Dizê qui Deus vê tudinho?

Vancê num acha que ele tá sofrendo das vistas?

É isso.



Escrito por Maria Luiza às 11h24
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VELHINHA TARADA!

Não fiquem chocados, é apenas um termo bem rodriguiano, para uma senhora idosa que não pára de ler a obra de Nelson Rodrigues e  o acha "o máximo"!

Se já ficaram horrorizados com o título, imaginem agora, quando lhes disser que a "velhinha" em questão é a senhora minha mãe!

Ela vai fazer 89 anos daqui a alguns dias e está mergulhada nas crônicas de "A vida como ela é" do nosso anjo pornográfico. Já leu os romances, está lendo as crônicas e depois passará à dramaturgia. Aposentou seus romances água com açúcar, leu alguns Jorge Amado e agora se encanzinou com o bom Nelson.

Isso depois de eu ter sido quase crucificada pela família por ter defendido duas teses acadêmicas sobre esse "tarado". Durante o curso de pós-graduação  na UFRGS, ouvi de uma colega que eu também deveria ser tarada para suportar a leitura de um autor tão obsceno. Está aí uma coisa que Nelson não é. Seus temas são polêmicos, a família é um microcosmo e a miséria humana fica exposta de uma forma que nem todos suportam encarar. Tudo sem um só palavrão. Aliás, com uma linguagem bela e correta.

Por tudo isso (e muito mais), minha mãe, que é uma leitora voraz, descobriu a magia rodriguiana e não quer mais parar de ler o mestre do teatro brasileiro.

Só que eu não poderia deixar de me vingar, por todas as ofensas e xingamentos, chamando-a, carinhosamente, de "velhinha tarada". Afinal, quem gosta tanto de ler um tarado desses, só pode sofrer de alguma tara também, né?...rsrsrs

 



Escrito por Maria Luiza às 14h06
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